Não sei como me defender dessa ternura que cresce escondida e,
de repente, salta para fora de mim, querendo atingir todo mundo.
Tão inesperada quanto a vontade de ferir, e com o mesmo ímpeto,
a mesma densidade.
Mas é mais frustrante. Sempre encontro a quem magoar com uma palavra ou um gesto.
Mas nunca alguém que eu possa acariciar os cabelos, apertar a mão ou deitar a cabeça no ombro.
Sempre o mesmo círculo vicioso: da solidão nasce a ternura,
da ternura frustrada a agressão,
e da agressividade torna a surgir a solidão.
Todos os dias o ciclo se repete, às vezes com mais rapidez,
outras mais lentamente.
E eu me pergunto se viver não será essa espécie de ciranda
de sentimentos que se sucedem e se sucedem e
deixam sempre sede no fim.
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