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13 de fev. de 2011

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Caso você queira posso passar seu terno, aquele que você não usa por estar amarrotado.

Costuro as suas meias para o longo inverno...

Use capa de chuva, não quero ter você molhado.

Se de noite fizer aquele tão esperado frio poderei cobrir-lhe com o meu corpo inteiro e verás como minha a minha pele de algodão macio, agora quente, será fresca quando janeiro.

Nos meses de outono eu varro a sua varanda, para deitarmos debaixo de todos os planetas.

O meu cheiro te acolherá com toques de lavanda - Em mim há outras mulheres e algumas ninfetas -

Depois plantarei para ti margaridas da primavera e aí no meu corpo somente você e leves vestidos, para serem tirados pelo total desejo de quimera.

Estou bem

É a mais pura verdade.

.
Estou bem. Procurando me libertar de cada ácaro que me
lembre sua estadia. De cada lugar, momento, tempo, espaço e detalhes que me leve ao pensamento insano da sua presença.

Você foi como mais um dos meus casos. Veio sem dó nem piedade, arrancou o que tenho de mais digno que é o amor, usufruiu quando quis, pisou quando pode, e foi embora com medo da sua gentileza de me dar a liberdade de fazer o mesmo.

Não digo que me trocou, porque isso tem que ser feito por completo. Acaba um, inicia outro. E você não me deixou ser inteira por justamente não ir embora por inteiro. Porque eu sei que você foi meu, tanto quanto eu fui sua.

Sei que a felicidade de auscultar os nossos corações na mesma sintonia, foi recíproca. Você estava lá. Eu senti a ponto de te querer inconsciente, mesmo tendo a certeza de seguir aceitando a distância.

Você foi embora sem conseguir olhar nos meus olhos e dizer adeus, porque você sabe o poder que eles tem sobre você. Você nunca assumiu cada sorriso escondido atrás de um orgulho imenso. E eu mais uma vez passei pelo processo de aceitação de mais uma partida sua.

Aceitei, quero sua presença e o evitarei o quanto for necessário para o meu coração burro aprender a ser um pouco mais inteligente quando apontar o dedo para a pessoa errada. Dessa vez foi sério, será que acabou o mistério? Impossível, pois mais uma vez está subentendido.

Eu quero acreditar que a sua mais nova diversão, não passa de dias solitários e curtos, e um tempo para esquecer o que estava te dominando. Seu mais novo caso, e suas atitudes incoerentes depois de suas palavras, me fazem agir o mais distante possível.

Pela primeira vez depois de dias, me faz mover a favor da corrente da sua decisão. Você agiu pensando no seu ego, isso foi mais um dos seus surtos de egoísmo. E mais uma prova de que eu entrei neste barco sozinha, depois de vários motores quebrados, parti para os remos, e você sem explicações os atirou no meio do oceano, me deixando na metade do caminho, sem forças para continuar, e sem saber como voltar. Isso porque o seu medo de sofrer, lhe deu forças de acabar com algo que você doou para criar, mas se libertou para não continuar. E nem lembrou que eu estava envolvida, e que você já fazia parte de mim.

Se eu fosse fraca, lhe apontaria o dedo e diria o que você se tornou: tão e somente um covarde.
Verdadeiros homens são dignos de honrar o que se constrói, e não de tirar o tijolo da base para que tudo desmorone.

Eu te queria, por um sentimento tão puro e tão verdadeiro, que mesmo sem suas fichas e sua falta de credibilidade, estava pulsando. Estava ali, e você não acreditou por ser tão real. E sim, você foi embora por medo de se tornar impotente diante de algo tão grandioso e sincero.

Um idiota que esqueceu de ir?

Foram muitos dias nessa tortura, então entenda que percorri todas as rotas de fuga.

Cheguei a procurar notícias suas pelos jornais, pois só um obituário justificaria tamanha demora em uma ligação.

Enfim, por muito mais tempo do que desejaria, mantive na ponta da língua tudo o que eu devia te dizer, e tudo o que você merecia ouvir, e tudo. Mas você não ligou.

Mando esta carta, portanto, sem esperar resposta.
Nem sequer espero mais por nada, em coisa alguma, nesta vida, pra ser sincera. No que se refere a você, especialmente, porque o vazio do seu sumiço já me preenche; tenho nele um conforto que motivos não me trarão.

Não me responda, então, mesmo que deseje. Não quero um retorno; quis, um dia, uma ida. Que não aconteceu, assim deixemos para lá.

Estaria, entretanto, mentindo se não dissesse que, aqui dentro, ainda me corrói uma pequena curiosidade. Pois não é todo dia que uma pessoa não vai e não volta, é?

As pessoas guardam esses grandes vacilos para momentos especiais, não guardam?

Então, eis a minha única curiosidade: você às vezes pensa nisso, como eu penso? Com um suave aperto no coração? Ou será que você foi apenas um idiota que esqueceu de ir?"