13 de fev. de 2011

Pela Rua

Sem qualquer esperança
detenho-me diante de uma vitrina de bolsas
na Avenida Paulista, domingo,
enquanto o crepúsculo se desata sobre o bairro.

Sem qualquer esperança
te espero.
Na multidão que vai e vem
entra e sai dos bares e cinemas
surge teu rosto e some
num vislumbre e o coração dispara.

Te vejo no restaurante
na fila do cinema, de azul
diriges um automóvel, a pé
cruzas a rua miragem
que finalmente se desintegra com a tarde acima dos edifícios
e se esvai nas nuvens.

A cidade é grande
tem milhões de habitantes e tu és um só.
Em algum lugar estás a esta hora, parado ou andando,
talvez na rua ao lado, talvez na praia
talvez converses num bar distante
ou no terraço desse edifício em frente,
talvez estejas vindo ao meu encontro, sem o saberes,
misturado às pessoas que vejo ao longo da Avenida.
Mas que esperança!

Tenho uma chance em milhões.
Ah, se ao menos fosses mil
disseminado pela cidade.

A noite se ergue comercial
nas constelações da Avenida.
Sem qualquer esperança, continuo
e meu coração vai repetindo teu nome
abafado pelo barulho dos motores
solto ao fumo da gasolina queimada.

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