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13 de fev. de 2011

E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;

Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.

Afinidade

A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos.
É o mais independente.

Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido.

Afinidade é não haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo sobre o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.

Ter afinidade é muito raro.

Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.

O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.

Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.

É ficar conversando sem trocar palavra.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.

Afinidade é sentir com.
Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.

Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar.
Ou quando é falar, jamais explicar, apenas afirmar.

Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.

Só entra em relação rica e saudável com o outro,
quem aceita para poder questionar.
Não sei se sou claro: quem aceita para poder questionar,
não nega ao outro a possibilidade de ser o que é, como é, da maneira que é.
E, aceitando-o, aí sim, pode questionar, até duramente, se for o caso.
Isso é afinidade.

A afinidade não precisa do amor. Pode existir com ou sem ele.
Independente dele. A quilômetros de distância.
Na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar.
Há afinidade por pessoas a quem apenas vemos passar,
por vizinhos com quem nunca falamos e de quem nada sabemos.
Há afinidade com pessoas de outros continentes a quem nunca vemos, veremos ou falaremos.

Quem pode afirmar que, durante o sono, fluidos nossos não saem para buscar sintomas com pessoas distantes,
com amigos a quem não vemos, com amores latentes,
com irmãos do não vivido?

A afinidade é singular, discreta e independente,
porque não precisa do tempo para existir.
Vinte anos sem ver aquela pessoa com quem se estabeleceu o vínculo da afinidade!
No dia em que a vir de novo, você vai prosseguir a relação
exatamente do ponto em que parou.

Afinidade é a adivinhação de essências não conhecidas
nem pelas pessoas que as tem.

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças,
é conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas,
quantos das impossibilidades vividas

Ne me quitte pas...

Você se cansa de amores incompletos, de amores platônicos, de falta de amor, de excesso disso e daquilo.

Se cansa do “apesar de”.
Se cansa do rabo entre as pernas, da sensação de estar sendo prejudicado, se cansa do “a vida é assim mesmo”.

Você se cansa de esperar, de rezar, de aguardar, de ter esperanças, cansa do frio na barriga, cansa da falta de sono.

Você se cansa da hipocrisia, da falsidade, da ameaça constante, se cansa da estupidez, da apatia, da angústia, da insatisfação, da injustiça, do frenezi, da busca impossível e infinita de algo que não sabe o que é.

Se cansa da sensação de não poder parar.”

Balanço

É incrível como hj, consigo olhar para trás e enxergar tanta coisa que eu não enxergava, ou melhor, não queria enxergar.

De repente você percebe que aprendeu várias coisas.

Você olha pra suas fotos antigas e não consegue se enxergar.

Você lembra de frases ditas e atitudes tomadas e as trata como se fossem de um outro alguém.

Você aprende que não há estrada sem fim.
O caminho, sim, é sem fim.
Basta torcer para estar percorrendo o caminho certo.
Basta perceber que o seu caminho é errado e esperar pelo próximo retorno.
É uma estrada de duas mãos.

Bons, puros e verdadeiros sentimentos tbm acabam, pq não?
Até mesmo o maior amor do mundo adoece, pq não?
A gente tbm cansa porra!

De repente, você se sente cansado de tanto aprender quando, na verdade, você está é cansado de estar rodeado de gente que não aprendeu porra nenhuma.

Força! Seja madura, tenha paciência, tolerância, esperança, fé.
O que?
Não!
Já fui madura demais, já tive paciência e tolerância demais.
A esperança e a fé não se (re)conquista de um dia pro outro. Não mesmo.
Então agora aguente minha infantilidade, minha ansiedade, minha pressa e tudo mais aquilo q eu kiser sentir com direito a todas as coisas bobas e insignificantes que pra mim são importantes.
É a minha vez.
Coisas simples me atraem, coisas do tipo ‘água batendo nos pés’. Ingênuos, atrapalhados e, bobos.
Adoro os que vêem as coisas de forma simplista.
Pra mim, bom mesmo é barzinho e tira-gostos com amigos, gosto de café fresquinho após acordar, adoro luzinhas, gosto de banho morno fora de época, brincar tomando banho de chuva, gosto da minha risada escandalosa e totalmente solta, gosto de lembrancinhas, coisa velha, gente antiga, palavras fora de moda, riso solto de novo e de novo e sempre.

Sonhe

"...Os sonhos não determinam o lugar onde vocês vão chegar, mas produzem a força necessária para tirá-los do lugar em que vocês estão.
Sonhem com as estrelas para que vocês possam pisar pelo menos na Lua.
Sonhem com a Lua para que vocês possam pisar pelo menos nos altos montes.
Sonhem com os altos montes para que vocês possam ter dignidade quando atravessarem os vales das perdas e das frustrações.
Bons alunos aprendem a matemática numérica, alunos fascinantes vão além, aprendem a matemática da emoção, que não tem conta exata e que rompe a regra da lógica. Nessa matemática você só aprende a multiplicar quando aprende a dividir, só consegue ganhar quando aprende a perder, só consegue receber, quando aprende a se doar..."

Frágil

"Eu me sinto às vezes tão frágil, queria me debruçar em alguém, em alguma coisa. Alguma segurança. Invento historinhas para mim mesmo, o tempo todo, me conformo, me dou força.
Mas a sensação de estar sozinho não me larga.
Algumas paranóias, mas nada de grave.
O que incomoda é esta fragilidade, essa aceitação, esse contentar-se com quase nada.
Estou toda sensível, as coisas me comovem."
Um amor quentinho.
Descanso pro complicado do mundo.
Surpresa pra rotina dos dias.
A quem esperar.
De quem sentir saudades.
Um nome entre todos.
O verso mais bonito.
A música que não se esquece.
O par pra toda dança.
Por quem acordar.
Com quem sonhar antes de dormir.
Uma mão pra segurar,
um ombro pra deitar,
um abraço pra morar.
Um tema pra toda história.
Uma certeza pra toda dúvida.
Janela acesa em noite escura.
Cais onde aportar.
Bonança, depois da tempestade.
Uma vida costurar na sua, com o fio comprido do tempo.
Te Amo.

E lá vou eu

Mas como menina-teimosa que sou, ainda insisto em desentortar os caminhos.
Em construir castelos sem pensar nos ventos.
Em buscar verdades enquanto elas tentam fugir de mim.
A manter meu buquê de sorrisos no rosto, sem perder a vontade de antes.
Porque aprendi, que a vida, apesar de bruta, é meio mágica. Dá sempre pra tirar um coelho da cartola.
E lá vou eu, nas minhas tentativas, às vezes meio cegas, às vezes meio burras, tentar acertar os passos.
A gente se apertou um contra o outro.

A gente queria ficar apertado assim porque nos completávamos desse jeito, o corpo de um sendo a metade perdida do corpo do outro.

Os laços que nos unem, algumas vezes, são impossíveis de explicar.
Eles nos conectam mesmo depois de parecer que os laços foram rompidos.
Alguns laços desafiam a distância, o tempo e a lógica, porque eles simplesmente devem existir.

Não tenho mais tempo para ser a pessoa certa na hora errada.

Eu nunca aceitei a simplicidade do sentimento.

Eu sempre quis entender de onde vinha tanta loucura, tanta emoção.

Eu nunca respeitei sua banalidade, nunca entendi como pude ser tão escrava de uma vida que não me dizia nada, não me aquietava em nada, não me preenchia, não me planejava, não me findava.

Nós éramos sem começo, sem meio, sem fim, sem solução, sem motivo.

…Não sinto saudades do seu amor, ele nunca existiu, nem sei que cara ele teria, nem sei que cheiro ele teria. Não existiu morte para o que nunca nasceu….

….Sinto falta da perdição involuntária que era congelar na sua presença tão insignificante.

Era a vida se mostrando mais poderosa do que eu e minhas listas de certo e errado.

Era a natureza me provando ser mais óbvia do que todas as minhas crenças.

Eu não mandava no que sentia por você, eu não aceitava, não queria e, ainda assim, era inundada diariamente por uma vida trezentas vezes maior que a minha.

Eu te amava por causa da vida e não por minha causa.

E isso era lindo. Você era lindo. Simplesmente isso.

Você, a pessoa que eu ainda vejo passando, responsável por todas as minhas manhãs sem esperança, noites sem aconchego, tardes sem beleza…

...Não sinto falta de quando a imensa distância ainda me deixava te ver do outro lado da rua, passando apressado com seu andar estranho.

Não sinto falta de lembrar que você me via tanto, que preferia fazer que não via nada.

Não sinto falta da sua tristeza, disfarçada em arrogância, em não dar conta, em não ter nem amor, nem vida, nem saco, nem músculos, nem medo, nem alma suficientes para me reter.

Tento entender e prometi não sentir a falta de lamber sua boca, coxas, a pele lisa, o joelho, a nuca, o umbigo, a virilha, as sujeiras, prometi não sentir mais falta das suas mãos..

Não sinto falta de amar aquele que nunca me enxergou.

Brisa

Pra não pensar na falta, eu me encho de coisas por aí.
Me encho de amigos, bares, charmes, possibilidades, livros, músicas, descobertas solitárias e momentos introspectivos
andando ao Sol.

E todo esse resto de coisas deixa ao pouco de ser resto, e passa a ser minha vida, e passa a enterrar você de grão em grão, sujando seus dentes e olhos e nada eu posso com a pá que está na minha mão.

O vento está mais forte do que o vidro que eu fiz com os meus próprios grãos para me guardar para você.

Ele está esmurrando a porta, escapando pelas frestas e eu gosto da brisa fina na minha testa aliviando o meu tormento.

“Pode ser injusto, mas o que acontece em poucos dias, às vezes até uma única vez, pode alterar o rumo da sua vida inteira”.

Tanto

Só preciso de alguns abraços queridos, a companhia suave, bate-papos que me façam sorrir, algum nível de embriaguez e a sincronicidade.
Preciso sim, preciso tanto.
Alguém que aceite tanto meus sonhos demorados quanto minhas insônias insuportáveis.

Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como - eu estou aqui, eu te toco também.
“Você imagina quantas mulheres existem em mim?

Eu posso acordar doce, ficar amarga e até dormir ácida sem você perceber.

Mas eu quero que você perceba.

Eu quero que você se alimente do que há de melhor e pior em mim.

Eu quero te mostrar cada gosto, te misturar, te revirar o estômago, te virar do avesso, jogar a receita fora.

(Nada de banho-maria!)”
Talvez quando você sonhar em me querer, eu ja tenha encontrado alguém que me queira. E talvez quando você precisar de mim, eu ja não esteja mais ao seu lado para te ajudar.

Quem sabe quando você perceber que existo, eu ja tenha desaparecido do seu alcance. E se por acaso um dia você me amar, talvez nesse dia eu tranforme o amor em amizade.

Quando seus olhos sentirem a falta de uma luz, e você quiser me ver, talvez eu já tenha ido atrás de alguém que me queira como eu te quis.

E quando você cair na real e ver que me teve mas não quis me amar, então peça a Deus para mudar nosso caminho e lançar um nos braços de outro.

E se por ironia do destino eu passar com outro, saiba que esse outro foi quem me segurou com as duas mãos na hora em que eu quis chorar, quando você me deixou.

E se você sentir que está sofrendo por um amor não chore. Mas lembre-se que também chorei por você.
E tudo porque um dia… eu te amei demais.
Me deseja uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo;

Que leve para longe da minha boca esse gosto podre de fracasso, de derrota sem nobreza.

Aquele um vai entrar um dia talvez por essa mesma porta, sem avisar.

Diferente dessa gente toda vestida de preto, com cabelo arrepiadinho.

Se quiser eu piro, e imagino ele de capa de gabardine, chapéu molhado, barba de dois dias.

Mas isso é filme, ele não.

Ele é de um jeito que ainda não sei, porque nem vi.
Vai olhar direto para mim.
Ele vai sentar na minha mesa, me olhar no olho, pegar na minha mão, encostar seu joelho quente na minha coxa fria e dizer: vem comigo. é por ele que eu venho aqui, quase toda noite.
Não por você, por outros como você.

Pra ele, me guardo.

Ria de mim, mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor.
"Você vai me abandonar e eu nada posso fazer para impedir. Você é meu único laço, cordão umbilical, ponte entre o aqui de dentro e o lá de fora.

Te vejo perdendo-se todos os dias entre essas coisas vivas onde não estou.
Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais você não estar no que vejo.
E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a sua ausência não terá nenhuma importância.
Serás apenas memória, alívio, enquanto agora és uma planta carnívora exigindo a cada dia uma gota de sangue para manter-se viva.
Você rasga devagar o meu pulso com as unhas para que eu possa beber.
Mas um dia será demasiado esforço, excessiva dor, e eu esquecerei como se esquece um compromisso sem muita importância. Uma fruta mordida apodrecendo em silêncio no quarto."
...E ele tentando me esquecer em tantas outras bocas, em tantos outros abraços.

Mas tem uma coisa que ele não esquece: sou eu.

Sou eu quem fazia ele perder o fôlego, sou eu quem oferecia o melhor abrigo no final do dia e o melhor abraço na hora do sono.

Só quem arrepia kda centímetro do seu corpo e faz vc sentir o sangue bombear num ritmo acelerado, é capaz de estragar o mundo quando parte
"Não tenho culpa se meus dias têm nascido completamente coloridos e os outros cismam em querer borrar as cores.

Não tenho culpa se meu sorriso é de verdade e acontece por motivos bobos, mas bem especiais.
Não tenho culpa se meus passos não são firmes. Não sou perfeita... Eu tropeço e caio de vez em quando,
aliás, eu caio muito. Meus olhos... Tem brilhado bem diferente ultimamente. E brilham diferente a cada dia...
e começo a me preocupar... pois tenho medo da velocidade dessas alterações... E no meu mundo mais lindo e completo não consigo entender a existência de algumas pessoas. Mas o mundo aqui não é dos mais justos mesmo...

Compreendo. Mas mesmo assim, eu tenho bastante lápis de cor... Empresto pra quem quiser pintar a vida.
Mas por favor... Não borrem a minha."
Porque quando fecho os olhos, é você quem eu vejo aos lados, em cima, embaixo, por fora e por dentro de mim.
Dilacerando felicidades de mentira, desconstruindo tudo o que planejei, abrindo todas as janelas para um mundo deserto.
É você quem sorri, morde o lábio, fala grosso, conta histórias, me tira do sério, faz ares de palhaço, pinta segredos, ilumina o corredor por onde passo todos os dias.
É agora que quero dividir maçãs, achar o fim do arco-íris, pisar sobre estrelas e acordar serena.
É para já que preciso contar as descobertas, alisar seu peito, preparar uma massa, sentir seus cílios.
“Claro, o dia de amanhã cuidará do dia de amanhã e tudo chegará no tempo exato. Mas e o dia de hoje?”
Não quero saber de medo, paciência, tempo que vai chegar.
Não negue, apareça. Seja forte.
Porque é preciso coragem para se arriscar num futuro incerto.
Não posso esperar. Tenho tudo pronto dentro de mim e uma alma que só sabe viver presentes. Sem esperas, sem amarras, sem receios,sem cobertas, sem sentido, sem passados. É preciso que você venha nesse exato momento.
Abandone os antes. Chame do que quiser. Mas venha.
Quero dividir meus erros, loucuras, chocolates…
Apague minhas interrogações. Por que estamos tão perto e tão longe? Quero acabar com as leis da física. Não nego, tenho um grande medo de ser sozinha. Não sou pedaço. Mas não me basto.



...Ou talvez estivessem realmente destinados um ao outro, e mesmo sem o álcool, numa rua repleta saberiam encontrar-se