13 de fev. de 2011

Quanto a mim,
a voz tão rouca,
fico por aqui mesmo comparecendo a atos públicos,
pichando muros contra usinas nucleares, em plena ressaca,
um dia de monja, um dia de puta, um dia de Joplin, um dia de Teresa de Calcutá,
um dia de merda
enquanto seguro aquele maldito emprego de oito horas diárias
para poder pagar essa poltrona de couro autêntico
onde neste exato momento vossa reverendíssima
assenta sua preciosa bunda
e essa exótica mesinha-de-centro em junco indiano que apóia
nossos fatigados pés descalços ao fim de mais outra semana de batalhas inúteis,
fantasias escapistas, maus orgasmos e crediários atrasados.

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