Como num conto de fada
Ou como alguém rolando a escada
Vou pra civilização
Cabeleira incendiada
No barranco, na boléia
Uma candeia em cada mão
Eu quero um amor de primavera
Procuro letreiro de néon
Pretendo zoar a noite inteira
Preciso encontrar um homem bom
Que me deixe louca a chorar pitangas no breu
Que me beije a boca na laje do arranha-céu
E se a vida tomar jeito
Vou andar no parapeito
Com vestido de lamê
Ou sentar na esquina da fome
Da guimba, do desdém
Da gangue da Praça da Sé
Eu quero um amor de primavera
Procuro letreiro de néon
Pretendo zoar a noite inteira
Preciso encontrar um homem bom
Que estenda um tapete vermelho e me beije a mão
Que me arranque a roupa no meio da multidão.
(Comentário feito por gabrielvis no meu fotolog.)
4 de mai. de 2009
3 de mai. de 2009
Pictures
alright passing by but no goodbyes
it's all my dreams for now but not forever
it will be close to shine, close to shine
how could we be so clever
we should find a way to stay, anyway to stay together
pictures coming out makes me feel so proud
alright passing by but no goodbyes
how could we be so clever
we should find a way to stay, anyway to stay together
pictures coming out makes me feel so proud
alright passing by but no goodbye.
:
it's all my dreams for now but not forever
it will be close to shine, close to shine
how could we be so clever
we should find a way to stay, anyway to stay together
pictures coming out makes me feel so proud
alright passing by but no goodbyes
how could we be so clever
we should find a way to stay, anyway to stay together
pictures coming out makes me feel so proud
alright passing by but no goodbye.
:
1 de mai. de 2009
Desabafo
Mergulho no cheiro que não defino,
você me embala dentro dos seus braços,
você cobre com a boca meus ouvidos entupidos de buzinas,
versos interrompidos, escapamentos abertos, tilintar de telefones,
máquinas de escrever, ruídos eletrônicos, britadeiras de concreto,
e você me beija e você me aperta e você me leva para Creta, Mikonos, Rodes, Patmos, Delos,
e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo, tudo bem...
O cheiro do teu corpo persiste no meu durante dias.
Não tomo banho.
Guardo, preservo, cheiro o cheiro do teu cheiro grudado no meu.
E basta fechar os olhos para naufragar outra vez e cada vez mais fundo na tua boca.
Abismos marinhos, sargaços.
Minhas mãos escorrem pelo teu peito.
Gramados batidos de sol, poços claros.
Alguma coisa então pára, todas as coisas param.
Os automóveis nas ruas, os relógios nas paredes, as pessoas nas casas, as estrelas que não conseguimos ver aqui do fundo da cidade escura.
Olho no poço do teu olho escuro, meia-noite em ponto.
Quero fazer um feitiço para que nada mais volte a andar.
Quero ficar assim, no parado.
Sei com medo que o que trouxe você aqui foi esse meu jeito de ir vivendo como quem pula poças de lama, sem cair nelas, mas sei que agora esse jeito se despedaça.
Torre fulminada, o inabalável vacila quando começa a brotar de mim isso que não está completo sem o outro.
Você assopra na minha testa.
Sou só poeira, me espalho em grãos invisíveis pelos quatro cantos do quarto.
Fico noite, fico dia. Fico farpa, sede, garra, prego.
Chega em mim sem medo, toca no meu ombro, olha nos meus olhos, como nas canções do rádio. Depois me diz:
— “Vamos embora para um lugar limpo.
Deixe tudo como está. Feche as portas, não pague as contas nem conte a ninguém.
Nada mais importa.
Agora você me tem, agora eu tenho você.
Nada mais importa.
O resto? Ah, o resto são os restos.
E não importam
Apagar a luz e mergulhar de olhos fechados no quente fundo da curva do teu ombro, tanto frio, naufragar outra vez em tua boca,
reinventar no escuro teu corpo moço de homem apertado contra meu corpo de moça também,
Apalpar as virilhas, o pescoço, sem entender, sem conseguir chorar, abandonada, apavorada, mastigando maldições, dúbios indícios, sinistros augúrios,
e amanhã não desisto:
Te procuro aqui, juro que um dia eu encontro.
Choro, angústia, medo.
você me embala dentro dos seus braços,
você cobre com a boca meus ouvidos entupidos de buzinas,
versos interrompidos, escapamentos abertos, tilintar de telefones,
máquinas de escrever, ruídos eletrônicos, britadeiras de concreto,
e você me beija e você me aperta e você me leva para Creta, Mikonos, Rodes, Patmos, Delos,
e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo, tudo bem...
O cheiro do teu corpo persiste no meu durante dias.
Não tomo banho.
Guardo, preservo, cheiro o cheiro do teu cheiro grudado no meu.
E basta fechar os olhos para naufragar outra vez e cada vez mais fundo na tua boca.
Abismos marinhos, sargaços.
Minhas mãos escorrem pelo teu peito.
Gramados batidos de sol, poços claros.
Alguma coisa então pára, todas as coisas param.
Os automóveis nas ruas, os relógios nas paredes, as pessoas nas casas, as estrelas que não conseguimos ver aqui do fundo da cidade escura.
Olho no poço do teu olho escuro, meia-noite em ponto.
Quero fazer um feitiço para que nada mais volte a andar.
Quero ficar assim, no parado.
Sei com medo que o que trouxe você aqui foi esse meu jeito de ir vivendo como quem pula poças de lama, sem cair nelas, mas sei que agora esse jeito se despedaça.
Torre fulminada, o inabalável vacila quando começa a brotar de mim isso que não está completo sem o outro.
Você assopra na minha testa.
Sou só poeira, me espalho em grãos invisíveis pelos quatro cantos do quarto.
Fico noite, fico dia. Fico farpa, sede, garra, prego.
Chega em mim sem medo, toca no meu ombro, olha nos meus olhos, como nas canções do rádio. Depois me diz:
— “Vamos embora para um lugar limpo.
Deixe tudo como está. Feche as portas, não pague as contas nem conte a ninguém.
Nada mais importa.
Agora você me tem, agora eu tenho você.
Nada mais importa.
O resto? Ah, o resto são os restos.
E não importam
Apagar a luz e mergulhar de olhos fechados no quente fundo da curva do teu ombro, tanto frio, naufragar outra vez em tua boca,
reinventar no escuro teu corpo moço de homem apertado contra meu corpo de moça também,
Apalpar as virilhas, o pescoço, sem entender, sem conseguir chorar, abandonada, apavorada, mastigando maldições, dúbios indícios, sinistros augúrios,
e amanhã não desisto:
Te procuro aqui, juro que um dia eu encontro.
Choro, angústia, medo.
30 de abr. de 2009
Feels Like home!
Faz com que eu queira me perder em seus braços
Tem alguma coisa na sua voz que faz meu coração disparar
Espero que este sentimento dure pelo resto da minha vida
Se você soubesse como minha vida tem sido solitária
E há quanto tempo estou tão sozinha
Se você soubesse o quanto eu queria que alguem viesse
e mudasse minha vida do jeito que você fez
E eu me sinto em casa, eu me sinto em casa
Parece que eu voltei todo o caminho de onde eu vim
E eu me sinto em casa, eu me sinto em casa
Parece que estou de volta para onde pertenço
Uma janela quebra na rua escura
e uma sirene toca na noite
Mas estou bem, porque tenho você aqui comigo
E quase posso ver que há uma luz em meio à escuridão
Bem, se você soubesse o quanto este momento significa para mim
E quanto tempo esperei pelo seu toque
E se você soubesse o como está me fazendo feliz
Nunca pensei que amaria alguem tanto assim
Parece que eu voltei todo o caminho de onde eu vim
E eu me sinto em casa, eu me sinto em casa
Parece que estou de volta para onde pertenço
Without You I'm Nothing
Estranha paixão parece encantar a maré de noite
Eu levarei isso ao seu lado
Tal imaginação parece ajudar os sentimentos deslizados
Eu levarei isso ao seu lado
Correlação imediata bombeia e gera um pacote de mentiras
Eu levarei isso ao seu lado
Saturação extra enrola a pele e bronzeia a pele
Eu levarei isso ao seu lado
Tick Tock
Tick Tock
Tick Tock
Tick Tick
Tick
Tick
Tick Tock
Tick
Eu sou um sujo, um libertino
E toda vez que você desabafa sua melancolia
Eu pareço perder o poder da fala
Você está deslizando lentamente de meu alcance
Você me cultiva como uma sempre-viva
Você nunca viu meu lado solitário.
Eu
Pegue o plano, gire lateralmente
Eu
Caio
Sem você eu não sou nada
Sem você eu não sou nada
Sem você eu não sou nada
Pegue o plano, gire lateralmente
Sem você eu não sou nada.
28 de abr. de 2009
Música pra "Ti"!
Então hoje eu escrevi uma canção para você
porque um dia pode ser muito comprido
e sei que é difícil passar por ele
quando diz que há algo de errado
Então eu tento deixar tudo certo
Porque quero te amar com meu coração
e tudo isso me fez desnortear
e nem sei por onde começar
Faça disso um começo
Porque sabemos que é um simples jogo
que você joga enchendo sua cabeça com a chuva
e você sabe que está se escondendo de sua dor
Do modo, do modo em que diz seu nome
E te vejo
escondendo sua face nas mãos
Voando para não pousar
pensando que ninguém entenderá
ninguém entende
então, você curva os ombros e balança a cabeça
e sua garganta dói, mas você jura
ninguém te machuca, nada poderia ser triste
de qualquer maneira, você nem está aqui para se importar
E você está tão cansado que nem consegue dormir
enquanto seu coração tenta se curar
Você disfarça mas pensa que pode
desaparecer antes que acabe
Você não consegue encontrar
forças para ao menos tentar
encontrar uma voz que fale em sua mente
quando o faz, tudo o que quer é chorar
Bem, talvez devesse chorar
e vejo você escondendo sua face nas mãos
falando sobre terras distantes
você pensa que ninguém entende
escute minhas mãos
e toda essa vida
se move em sua volta
por tudo aquilo que quer
você permanece imóvel
você também está se movendo
eu vou mover você.
Essa música é pra Ti !
Dorme, meu amor
Dorme, meu amor, que o mundo já viu morrer mais este dia e eu estou aqui, de guarda aos pesadelos.
Fecha os olhos agora e sossega — o pior já passou há muito tempo; e o vento amaciou; e a minha mão desvia os passos do medo.
Dorme, meu amor — a morte está deitada sob o lençol da terra onde nasceste e pode levantar-se como um pássaro assim que adormeceres.
Mas nada temas: as suas asas de sombra não hão-de derrubar-me — eu já morri muitas vezes e é ainda da vida que tenho mais medo.
Fecha os olhos agora e sossega — a porta está trancada; e os fantasmas
da casa que o jardim devorou andam perdidos nas brumas que lancei ao caminho.
Por isso, dorme, meu amor, larga a tristeza à porta do meu corpo e nada temas: eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão, já olhei a morte debruçada nos espelhos e estou aqui, de guarda aos pesadelos — a noite é um poema que conheço de cor e vou cantar-to até adormeceres.
Maria do Rosário Pedreira
Fecha os olhos agora e sossega — o pior já passou há muito tempo; e o vento amaciou; e a minha mão desvia os passos do medo.
Dorme, meu amor — a morte está deitada sob o lençol da terra onde nasceste e pode levantar-se como um pássaro assim que adormeceres.
Mas nada temas: as suas asas de sombra não hão-de derrubar-me — eu já morri muitas vezes e é ainda da vida que tenho mais medo.
Fecha os olhos agora e sossega — a porta está trancada; e os fantasmas
da casa que o jardim devorou andam perdidos nas brumas que lancei ao caminho.
Por isso, dorme, meu amor, larga a tristeza à porta do meu corpo e nada temas: eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão, já olhei a morte debruçada nos espelhos e estou aqui, de guarda aos pesadelos — a noite é um poema que conheço de cor e vou cantar-to até adormeceres.
Maria do Rosário Pedreira
22 de abr. de 2009
Walking Around
Acontece que me canso de meus pés e de minhas unhas,
do meu cabelo e até da minha sombra.
Acontece que me canso de ser homem.
Todavia, seria delicioso
assustar um notário com um lírio cortado
ou matar uma freira com um soco na orelha.
Seria belo
ir pelas ruas com uma faca verde
e aos gritos até morrer de frio.
Passeio calmamente, com olhos, com sapatos,
com fúria e esquecimento,
passo, atravesso escritórios e lojas ortopédicas,
e pátios onde há roupa pendurada num arame:
cuecas, toalhas e camisas que choram
lentas lágrimas sórdidas.
do meu cabelo e até da minha sombra.
Acontece que me canso de ser homem.
Todavia, seria delicioso
assustar um notário com um lírio cortado
ou matar uma freira com um soco na orelha.
Seria belo
ir pelas ruas com uma faca verde
e aos gritos até morrer de frio.
Passeio calmamente, com olhos, com sapatos,
com fúria e esquecimento,
passo, atravesso escritórios e lojas ortopédicas,
e pátios onde há roupa pendurada num arame:
cuecas, toalhas e camisas que choram
lentas lágrimas sórdidas.
Desespero
No peito uma dor que entope a fala e que a pede.
Uma dor inexplicável e insolúvel que brota águas e uivos lancinantes e não pára e nada pára.
A dor dos desastres recorrentes.
A dor que já não sei se é de ti, se de mim, se de tudo ou de tanto nada.
A dor que quero curar e nada cura.
Como queria quem me ensinasse o mundo.
Uma dor inexplicável e insolúvel que brota águas e uivos lancinantes e não pára e nada pára.
A dor dos desastres recorrentes.
A dor que já não sei se é de ti, se de mim, se de tudo ou de tanto nada.
A dor que quero curar e nada cura.
Como queria quem me ensinasse o mundo.
19 de abr. de 2009
São os meus.

Eles escolherão juntos o papel de parede da sala.
Escolherão juntos os imãs de geladeira.
Um dia, ele vai pedir ela em casamento, com direito a surpresa, anel e pedido clichê: -Quer casar comigo?
Ela poderá escolher vestido, flores, lembrancinhas, convites, convidados, igreja...
Poderé sair espalhando pra todo mundo como ela esta boba!
Ela vai fazer chá de panela, convidar as amigas e falar sobre coisas do tipo: - Ah ele me irrita qndo não coloca a tampa na pasta de dente.
No dia do casamento, ela vai encontrar uma flor ao lado do travesseiro dizendo: -Não vejo a hora de me casar com você.
Ele vai estar feliz, ela tbm.
Sairão juntos para uma nova vida, cheia de descobertas, medos e receios, mas estarem juntos e serem doidos um pelo outro vai fazer valer a pena correr todos os riscos.
Depois disso, um dia, ela dirá a ele: -Eu estou grávida!
Ele vai sorrir e abraçá-la demorado e dizer que está muito feliz!
São sonhos.
São os meus.
16 de abr. de 2009
15 de abr. de 2009
11 de abr. de 2009
7 de abr. de 2009
Páscoa
6 de abr. de 2009
Amy
No Mundo da Lua
Eu não sei andar
Sozinha
Vivo assim levando a minha dor
Seja onde for
Vou pra qualquer canto com você
Gosto tanto desse seu jeitinho de viver
No mundo da lua
Não sei bem certo onde eu vou
Pode não dar pé
Posso me perder por aí
Eu tenho medo de tudo
Não gosto de bicho, do mato
De andar sem sapato
Mas tô indo lá
Mesmo assim eu vou
Eu não sei andar
Sozinha
Vivo a me arriscar
Quero meu lugar
Quero tanto te dizer que eu vou
Vou pra qualquer canto com você
Gosto tanto desse seu jeitinho de viver
No mundo da lua
Eu não sei andar
Sozinho
Vivo a me arriscar
Quero meu lugar
Quero tanto te dizer que eu vou
5 de abr. de 2009
Definitivo
Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado
e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...
Carlos Drummond de Andrade
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado
e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...
Carlos Drummond de Andrade
Vai Passar...
" Vai passar, tu sabes que vai passar.
Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe?
O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'.
Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer
e,
de repente,
no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como
'estou contente outra vez'
Sempre Caio.
Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe?
O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'.
Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer
e,
de repente,
no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como
'estou contente outra vez'
Sempre Caio.
O irremediável
Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente?
Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente?
Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê.
Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.
Caio.
Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente?
Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê.
Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.
Caio.
2 de abr. de 2009
I Still Haven't Found What I'm Looking For

Eu escalei as montanhas mais altas
Eu corri através dos campos
Só para estar com você
Eu corri, eu rastejei
Eu escalei os muros da cidade
Estes muros da cidade
Só para estar com você
Mas eu ainda não encontrei
O que estou procurando
Eu beijei lábios de mel
Senti a cura na ponta dos dedos dela
Queimou como fogo
Esse desejo ardente
Eu falei com a língua dos anjos
Eu segurei a mão do demônio
Estava quente à noite
Eu estava frio como uma pedra..
Mas eu ainda não encontrei
O que estou procurando
Eu acredito na vinda do Reino
Então todas as cores
Irão filtrar-se em apenas uma
Mas sim, eu ainda estou correndo
Você quebrou os laços, soltou as correntes
Você carregou a cruz
E a minha vergonha
Você sabe que eu acredito nisso
Mas eu ainda não encontrei
O que estou procurando
31 de mar. de 2009
De Que São Feitos os Dias?

De que são feitos os dias?
- De pequenos desejos,
vagarosas saudades,
silenciosas lembranças.
Entre mágoas sombrias,
momentâneos lampejos:
vagas felicidades,
inactuais esperanças.
De loucuras, de crimes,
de pecados, de glórias
- do medo que encadeia
todas essas mudanças.
Dentro deles vivemos,
dentro deles choramos,
em duros desenlaces
e em sinistras alianças...
Cecília Meireles, in 'Canções'
O Que Amamos Está Sempre Longe de Nós
O que amamos está sempre longe de nós:
e longe mesmo do que amamos - que não sabe
de onde vem, aonde vai nosso impulso de amor.
O que amamos está como a flor na semente,
entendido com medo e inquietude, talvez
só para em nossa morte estar durando sempre.
Como as ervas do chão, como as ondas do mar,
os acasos se vão cumprindo e vão cessando.
Mas, sem acaso, o amor límpido e exacto jaz.
Não necessita nada o que em si tudo ordena:
cuja tristeza unicamente pode ser
o equívoco do tempo, os jogos da cegueira
com setas negras na escuridão.
Cecília Meireles, in 'Solombra'
e longe mesmo do que amamos - que não sabe
de onde vem, aonde vai nosso impulso de amor.
O que amamos está como a flor na semente,
entendido com medo e inquietude, talvez
só para em nossa morte estar durando sempre.
Como as ervas do chão, como as ondas do mar,
os acasos se vão cumprindo e vão cessando.
Mas, sem acaso, o amor límpido e exacto jaz.
Não necessita nada o que em si tudo ordena:
cuja tristeza unicamente pode ser
o equívoco do tempo, os jogos da cegueira
com setas negras na escuridão.
Cecília Meireles, in 'Solombra'
Solidão
Imensas noites de Inverno,
com frias montanhas mudas,
é o mar negro, mais eterno,
mais terrível, mais profundo.
(...)
A noite fecha seus lábios
- terra e céu - guardado nome.
E os seus longos sonhos sábios
geram a vida dos homens.
Geram os olhos incertos,
por onde descem os rios
que andam nos campos abertos
da claridade do dia.
Cecília Meireles, in 'Viagem'
com frias montanhas mudas,
é o mar negro, mais eterno,
mais terrível, mais profundo.
(...)
A noite fecha seus lábios
- terra e céu - guardado nome.
E os seus longos sonhos sábios
geram a vida dos homens.
Geram os olhos incertos,
por onde descem os rios
que andam nos campos abertos
da claridade do dia.
Cecília Meireles, in 'Viagem'
28 de mar. de 2009
Impulsivamente Precipitado
Pessoas calejadas(eu) não estão mais acostumadas com reconhecimento, consideração.Pessoas escaldadas(eu) não estão mais acostumadas com romantismo, lirismo.
Eu, sinceramente, não acredito que alguém seja capaz de alguma coisa por mim.
Nem palhas, nem mundos, muito menos fundos.
Ao mínimo sinal fico cabreira, começo a desconfiar até do meu próprio travesseiro.
Estou vendo coisas, estou achando coisas, oh!
Não, não pode ser, devo estar interpretando tudo errado.
Ok, o que dará de errado desta vez?
É mais fácil negar, assim, eu não me decepciono, não é mesmo?
É mais fácil não tentar, não tentando não corro o risco de cair do cavalo, é aquele mesmo cavalo de sempre que teima em me derrubar.
Não me permitindo conhecer fico sem saber qual o gosto do novo, sem saber qual o gosto do novo, fico sem gostar, sem saber, sem gostar, fico na mesma, não saio da rotina! Boa!
Boa?
Chamo de precipitado, aquilo que é verdadeiramente coragem.
Coragem essa que eu não tenho.
Ou melhor, tive, durante muito tempo mas de tanta coragem desprezada ela passou a ser receio, vazio, hj ela se chama medo.
Impulsivamente dolorido.
Melhor que doa então.
Com gosto ou sem gosto?
Mah
27 de mar. de 2009
ACEITE-ME
Aceite-me como eu sou.
Não venho com garantia...
nem tenho a pretensão,
de ser alguém perfeito.
Toda a perfeição não posso ter.
Eu sou como você:
sou da espécie humana,
sou capaz de errar.
O erro não é falha de caráter
e errar faz parte da Natureza Humana.
Eu vivo.
Eu sorrio.
Eu também aprendo!
Meu conhecimento é incompleto.
Estou na busca o tempo todo,
nas horas acordadas e nas horas de sono.
Eu tenho um longo caminho a ser percorrido,
assim como você também tem.
Aprendemos nossas lições pelo caminho.
Atingiremos a Sabedoria.
Assim, por favor,
aceite-me como sou!
Porque eu sou só eu.
Apenas eu.
Não há ninguém igualzinho a mim no mundo.
Esta é a única garantia que dou.
É assim que eu me sinto.
Eu tenho um coração.
Abra-me e veja-o!
Por favor , cuide bem dele.
Ele é tudo que eu sou.
Apenas eu.
Não venho com garantia...
nem tenho a pretensão,
de ser alguém perfeito.
Toda a perfeição não posso ter.
Eu sou como você:
sou da espécie humana,
sou capaz de errar.
O erro não é falha de caráter
e errar faz parte da Natureza Humana.
Eu vivo.
Eu sorrio.
Eu também aprendo!
Meu conhecimento é incompleto.
Estou na busca o tempo todo,
nas horas acordadas e nas horas de sono.
Eu tenho um longo caminho a ser percorrido,
assim como você também tem.
Aprendemos nossas lições pelo caminho.
Atingiremos a Sabedoria.
Assim, por favor,
aceite-me como sou!
Porque eu sou só eu.
Apenas eu.
Não há ninguém igualzinho a mim no mundo.
Esta é a única garantia que dou.
É assim que eu me sinto.
Eu tenho um coração.
Abra-me e veja-o!
Por favor , cuide bem dele.
Ele é tudo que eu sou.
Apenas eu.
Eu Nasci Pra Amar Você?
Eu não sei por que estou aqui
Há uma chuva de incerteza sobre mim
Eu não sei se dou meu coração
Se me entrego de uma vez nessa paixão
Eu te vejo, mas não sinto o seu toque
Não me beija por mais que eu te Provoque
Eu não sei por que estou aqui
Basta ver o seu olhar pra desistir
Eu não sei por que insisto assim
Você nasceu pra mim?
Eu te amo sem ter nada de volta
Sou um anjo guardando a sua porta.
Há uma chuva de incerteza sobre mim
Eu não sei se dou meu coração
Se me entrego de uma vez nessa paixão
Eu te vejo, mas não sinto o seu toque
Não me beija por mais que eu te Provoque
Eu não sei por que estou aqui
Basta ver o seu olhar pra desistir
Eu não sei por que insisto assim
Você nasceu pra mim?
Eu te amo sem ter nada de volta
Sou um anjo guardando a sua porta.
25 de mar. de 2009
Psicopata
São desprovidos do sentimento de culpa e dificilmente estabelecem laços afetivos com alguma pessoa — quando o fazem, é simplesmente por puro interesse.
Os psicopatas geralmente falam muito, expressam-se com encanto, têm respostas espertas e contam histórias.
O psicopata tem uma auto-estima muito elevada, um grande narcisismo, um egocentrismo fora do comum e uma sensação onipresente de que tudo lhe é permitido. Ou seja, sente-se
o ‘centro do universo’ e se crê um ser superior regido por suas próprias normas.
Sei de muita gente que gostaria de ter estas características.
Os psicopatas geralmente falam muito, expressam-se com encanto, têm respostas espertas e contam histórias.
O psicopata tem uma auto-estima muito elevada, um grande narcisismo, um egocentrismo fora do comum e uma sensação onipresente de que tudo lhe é permitido. Ou seja, sente-se
o ‘centro do universo’ e se crê um ser superior regido por suas próprias normas.
Sei de muita gente que gostaria de ter estas características.
19 de mar. de 2009
Verdades sobre mentiras...
quem pode com a verdade?
você quer a verdade?
tem certeza?
mesmo?
nááá...
você não sabe do que está falando
você não aguentaria ouvir a verdade
essa é a verdade
mentiras são boas
mentiras nos salvam
mentira nos protegem do sofrimento
mentiras protegem a alma a todo momento
um cobertor de mentiras é tão reconfortante
mentiras nos salvam de qualquer vexame
ah, o que seria da sociedade sem elas?
mas nem haveria como existir civilização
pois longe dos olhos é pertinho do coração
relacionamentos se baseiam em mentiras
a razão do fim é sempre culpa da verdade
essa é a verdade
mentiras são boas
eu tinha as minhas
a minha vida era uma tranquilidade só
mas eu me sentia tão mal mentindo
me sentia um enganador sem dó
ora bolas, mas todos não são?
ah, mas eu não sou não, meu irmão
eu sou bem melhor do que isso
sou a última bolacha do pacote
daí resolvi mudar o mundo
resolvi só falar a verdade
quis ser especial
um cara legal
e destrui uma alma
me perdi na minha
deixei ela sozinha
tudo terminei
é, eu sei
xeque-mate
essa é a verdade
mentiras não são boas
ser verdadeiro é bem mais difícil
você tem que apanhar pra aprender
eu odeio mentiras
eu odeio perder
amo a mim mesmo
meu negócio é vencer
nem que pra isso eu tenha que perder
você
a verdade só nos trouxe dor
mas é melhor do que viver um falso amor
no fim das contas fez sentido
ganhei o que há de melhor
o que não pode ser medido
e nem tem preço
isso eu mereço
de verdade
minha liberdade
Derramado por Tiago Bolzan De Luca
você quer a verdade?
tem certeza?
mesmo?
nááá...
você não sabe do que está falando
você não aguentaria ouvir a verdade
essa é a verdade
mentiras são boas
mentiras nos salvam
mentira nos protegem do sofrimento
mentiras protegem a alma a todo momento
um cobertor de mentiras é tão reconfortante
mentiras nos salvam de qualquer vexame
ah, o que seria da sociedade sem elas?
mas nem haveria como existir civilização
pois longe dos olhos é pertinho do coração
relacionamentos se baseiam em mentiras
a razão do fim é sempre culpa da verdade
essa é a verdade
mentiras são boas
eu tinha as minhas
a minha vida era uma tranquilidade só
mas eu me sentia tão mal mentindo
me sentia um enganador sem dó
ora bolas, mas todos não são?
ah, mas eu não sou não, meu irmão
eu sou bem melhor do que isso
sou a última bolacha do pacote
daí resolvi mudar o mundo
resolvi só falar a verdade
quis ser especial
um cara legal
e destrui uma alma
me perdi na minha
deixei ela sozinha
tudo terminei
é, eu sei
xeque-mate
essa é a verdade
mentiras não são boas
ser verdadeiro é bem mais difícil
você tem que apanhar pra aprender
eu odeio mentiras
eu odeio perder
amo a mim mesmo
meu negócio é vencer
nem que pra isso eu tenha que perder
você
a verdade só nos trouxe dor
mas é melhor do que viver um falso amor
no fim das contas fez sentido
ganhei o que há de melhor
o que não pode ser medido
e nem tem preço
isso eu mereço
de verdade
minha liberdade
Derramado por Tiago Bolzan De Luca
Anguish
É uma dor no meu peito queEsmaga, aperta, pisa, tritura
Destrói
Me falta o sono, me falta o ar
Eu procuro mas não acho
É tudo escuro
Não acho a saída.
Eu choro e choro e me condeno
Me julgo, dou minha própria sentença
Não cumpro a pena e volto
pro mesmo lugar escuro.
Onde está a minha paz?
Me tire daqui por favor.
18 de mar. de 2009
Retrato
Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?
Cecília Meireles
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?
Cecília Meireles
Questionário
Meu lado criança quer saber:Quem é você?
Pq vc n sai do meu pensamento?
Pq eu não kero q saia?
Será q estou apaixonada?
O q é esse negócio de paixão?
É d brincar?
E como funciona?
Posso brincar com vc?
Será q não é amor?
O q é amor?
Qual a diferença?
Não parece a mesma coisa?
Pq tudo tem q ter nome?
Pq as pessoas sofrem?
Pq elas se separam?
Pq n ficam de bem?
O q é saudade?
É um brinquedo? Machuca?
Pq as pessoas choram qndos sentem saudade?
Tudo bem se eu não kiser esse brinkedo?
Voce é legal?
Sabia q eu gosto muito de vc?
Sabia q toda noite antes de dormir
Eu eço ao papai do céu que ilumine seu caminho?
Sabia q eu já sonhei c vc?
Vc gosta d mim?
Muito ou pouco?
Entao nós somos amigos?
Amigos podem namorar?
Pq vc esta rindo?
Vc me acha boba?
Sabia q eu queria ser grande?
Sabia q qndo eu crescer vou escrever poemas?
Voce gosta de poemas?
Posso fazer um p vc?
“Gosto tanto de vc
q nem sei dizer
se escrevesse poemas
tvz eu sabia
e se não soubesse
tanto fazia
já q te abraçar
era só o q eu keria”
Gostou?
Se eu fizesse uns vinte poemas
Vc me amaria?
Se vc me amasse
vc me diria?
Meu poético lado adulto
Agradece!
13 de mar. de 2009
Blurry
Está tudo tão embaçadoe todo mundo é tão falso
e todo mundo é tão vazio
e tudo é tão bagunçado
preocupado sem você
Eu não posso viver nem um pouco
O meu mundo inteiro te rodeia
Eu tropeço e então eu rastejo
Você poderia ser meu alguém
Você poderia ser meu salvador
Você sabe que eu a protegerei
De toda a obscenidade
Eu me pergunto o que você está fazendo
Imagino onde você está
Há oceanos entre nós
Mas isso não é muito distante
Todo mundo está mudando
Não há ninguém que seja real
Então invente o seu próprio fim
e me deixe saber como você se sente
Porque estou perdido sem você
Eu não posso viver nem um pouco
Meu mundo inteiro te rodeia
Eu tropeço e então rastejo
Blurry - Puddle Of Mudd - Tradução: Tiago Bolzan
Quarta
Para um coração ferido...Há três épocas para a lembrança.
A primeira é como o dia que passou.
A alma, sob sua cúpula, sente-se abençoada
e o corpo em sua sombra se compraz.
O riso ainda não cessou, as lágrimas escorrem
a mancha de tinta na mesa ainda não se apagou -
e, como um selo no coração, repousa o beijo
de despedida, único, inesquecível...
Mas isso não dura muito...
Já não há mais cúpula no alto; apenas, em algum lugar,
num subúrbio distante, uma casinha solitária
onde, no inverno, faz frio, e no verão, calor,
onde há aranhas e o pó recobre tudo,
onde caem em pedaços as cartas inflamadas
e os retratos vão imperceptivelmente mudando;
e, ao voltar pra casa, lavam-se com sabão,
expulsam uma fugidia lágrima
das pálpebras cansadas - e dão um pesado suspiro...
Mas o relógio ainda bate, as primaveras se sucedem
uma depois da outra, o céu rosado fica,
as cidades mudam de nome,
e já não há mais testemunhas do passado,
já não há mais com quem chorar, com quem lembrar.
Devagarzinho, abandonam-nos as sombras,
que já não invocamos mais
pois o seu retorno poderia assustar-nos.
E um dia, ao despertar, descobrimos ter esquecido
o caminho para ir a essa casinha solitária.
Sufocando de raiva e de vergonha,
corremos para lá, mas (como acontece nos sonhos)
tudo está mudado: os homens, as coisas, as paredes e ninguém mais nos reconhece
- somos estranhos,
nem a nós mesmos encontramos lá... Meu Deus!
E aí que cresce a amargura:
sabemos que não há mais lugar
para esse passado nas fronteiras de nossa vida;
que, para nós, ele já é quase tão indiferente
quanto para o nosso vizinho de apartamento;
que os mortos, já nem os teríamos mais reconhecido;
que aqueles de quem Deus separou
passaram muitíssimo bem sem nós - e que, até mesmo,
do jeito que está, está tudo bem.
Respeitando a formatação, retirado do livro: Anna Akhmátova 05/02/1947
12 de mar. de 2009
O teu riso

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera , amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
Pablo Neruda
Fix The World Up For You
Eu irei consertar o mundo para vocêEu tentarei, construí-lo todo ao seu redor
Você nunca terá que ficar sozinha
Sim, você sempre saberá que você tem alguém
Para consertar o mundo para você
Bem, estou certo que errarei
Mais vezes do que acertarei
E eu não vou nem perceber isso
Mas eu estarei fazendo tudo que posso, para parar sua queda
Até mesmo agora eu prendo a respiração por você
Quando o mundo começar a desmoronar
Eu estarei lá, sim, você sabe que eu estarei
James Morrison
11 de mar. de 2009
Eu sei e você sabe
Eu sei e você sabe
Já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe
Que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham a você.
Assim como o Oceano, só é belo com o luar
Assim como a Canção, só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem, só acontece se chover
Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor, não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você!
Vinicius de Moraes
Já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe
Que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham a você.
Assim como o Oceano, só é belo com o luar
Assim como a Canção, só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem, só acontece se chover
Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor, não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você!
Vinicius de Moraes
Desdenho Cibernético

Msn, Orkut, Gtalk, Twitter, Icq, entre outros tipos de comunicadores instantâneos e rede social é uma grande ilusão.
Se eu não tiver online quantas pessoas vão lembrar de mim e vão querer saber como eu estou?
Se eu não puxar assunto, criar um diálogo, buscar, trazer pra mim, manter essa aproximação tenho a impressão de que tudo se dissolve, se perde.
Até que ponto um amor, uma amizade cibernética vai além do virtual?
"Ando meio fatigada de sedes afetivas inuteis."
9 de mar. de 2009
Serenata
Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.
Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.
Cecília Meireles
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.
Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.
Cecília Meireles
Visita
...E vejo os telhados onde jogávamos migalhas de pão para os passarinhos, escondidos para não assustá-los, até que eles viessem, mas não vinham nunca, era difícil seduzir os que têm asas, já sabíamos, mas ainda assim continuávamos jogando migalhas que a chuva dissolvia, intocadas. Não era difícil vê-lo ali, e ouvir seus passos longos subindo de dois em dois os degraus para abrir a porta e ficar me olhando sem dizer nada, até que nos abraçássemos e eu sentisse, como antigamente, a mecha rebelde de seu cabelo roçar-me a face como uma garra áspera e então soubesse nada ver, nada ouvir, e movimentasse meu corpo parado no meio do quarto para a cama sob a janela e mergulhando a cabeça nos lençóis desarrumados procurasse uma espécie de calor, imune ao tempo, às traças e à poeira, e procurasse o cheiro dele pelos cantos do quarto, e o chamasse com dor pelo nome...
Chega a doer!
Chega a doer!
Para Mah
Caio, tocando corações e o blog ganhando asas...
http://sujinsgrado.blogspot.com/2009/03/para-mah-para-amar-para-mah.html
http://sujinsgrado.blogspot.com/2009/03/para-mah-para-amar-para-mah.html
7 de mar. de 2009
Caio
Aquele um vai entrar um dia talvez por essa mesma porta, sem avisar. Diferente dessa gente toda vestida de preto, com cabelo arrepiadinho. Se quiser eu piro, e imagino ele de capa de gabardine, chapéu molhado, barba de dois dias, cigarro no canto da boca, bem noir. Mas isso é filme, ele não. Ele é de um jeito que ainda não sei, porque nem vi. Vai olhar direto para mim. Ele vai sentar na minha mesa, me olhar no olho, pegar na minha mão, encostar seu joelho quente na minha coxa fria e dizer: vem comigo. é por ele que eu venho aqui, boy, quase toda noite. Não por você, por outros como você. Pra ele, me guardo. Ria de mim, mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor.
Não, não ofereço perigo algum:
... Sou quieta como folha de outono esquecida entre as páginas de um livro, definida e clara como o jarro com a bacia de ágata no canto do quarto - se tomada com cuidado, verto água límpida sobre as mãos para que se possa refrescar o rosto, mas se tocada por dedos bruscos num segundo me estilhaço em cacos, me esfarelo em poeira dourada.
Tão...
"Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros."
5 de mar. de 2009
Eu sei, mas não devia
Marina Colasanti
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.
As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.
Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.
Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma.
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.
As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.
Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.
Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma.
4 de mar. de 2009
Dualismo
Não és bom, nem és mau: és triste e humano...
Vives ansiando, em maldições e preces,
Como se, a arder, no coração tivesses
O tumulto e o clamor de um largo oceano.
Pobre, no bem como no mal, padeces;
E, rolando num vórtice vesano,
Oscilas entre a crença e o desengano,
Entre esperanças e desinteresses.
Capaz de horrores e de ações sublimes,
Não ficas das virtudes satisfeito,
Nem te arrependes, infeliz, dos crimes:
E, no perpétuo ideal que te devora,
Residem juntamente no teu peito
Um demônio que ruge e um deus que chora.
Vives ansiando, em maldições e preces,
Como se, a arder, no coração tivesses
O tumulto e o clamor de um largo oceano.
Pobre, no bem como no mal, padeces;
E, rolando num vórtice vesano,
Oscilas entre a crença e o desengano,
Entre esperanças e desinteresses.
Capaz de horrores e de ações sublimes,
Não ficas das virtudes satisfeito,
Nem te arrependes, infeliz, dos crimes:
E, no perpétuo ideal que te devora,
Residem juntamente no teu peito
Um demônio que ruge e um deus que chora.
Um beijo
Um beijo
Olavo Bilac
Foste o beijo melhor da minha vida,
ou talvez o pior...Glória e tormento,
contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!
Morreste, e o meu desejo não te olvida:
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca malferida.
Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
batismo e extrema-unção, naquele instante
por que, feliz, eu não morri contigo?
Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante,
na perpétua saudade de um minuto....
Olavo Bilac
Foste o beijo melhor da minha vida,
ou talvez o pior...Glória e tormento,
contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!
Morreste, e o meu desejo não te olvida:
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca malferida.
Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
batismo e extrema-unção, naquele instante
por que, feliz, eu não morri contigo?
Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante,
na perpétua saudade de um minuto....
3 de mar. de 2009
Sexta-feira à noite
Sexta-feira à noite
os homens acariciam o clitóris das esposas
com dedos molhados de saliva.
O mesmo gesto com que todos os dias
contam dinheiro papéis documentos
e folheiam nas revistas
a vida dos seus ídolos.
Sexta-feira à noite
os homens penetram suas esposas
com tédio e pênis.
O mesmo tédio com que todos os dias
enfiam o carro na garagem
o dedo no nariz
e metem a mão no bolso
para coçar o saco.
Sexta-feira à noite
os homens ressonam de borco
enquanto as mulheres no escuro
encaram seu destino
e sonham com o príncipe encantado.
Marina Colasanti
os homens acariciam o clitóris das esposas
com dedos molhados de saliva.
O mesmo gesto com que todos os dias
contam dinheiro papéis documentos
e folheiam nas revistas
a vida dos seus ídolos.
Sexta-feira à noite
os homens penetram suas esposas
com tédio e pênis.
O mesmo tédio com que todos os dias
enfiam o carro na garagem
o dedo no nariz
e metem a mão no bolso
para coçar o saco.
Sexta-feira à noite
os homens ressonam de borco
enquanto as mulheres no escuro
encaram seu destino
e sonham com o príncipe encantado.
Marina Colasanti
Pra Não Chorar
Ando cansada de tudo
Desses nadas
Mudo de tom
Mas escuto o coração
Que é o talo de uma flor macia
Que algum ainda vai florar
E quando da areia
Do nada
Surge tudo
Creia que a luz
Vai limpar toda a bruma
Mas durma
Que a noite espreita
Deita que eu vou te ninar
A alegria já dobrou a esquina
Nina que é pra não chorar
Desses nadas
Mudo de tom
Mas escuto o coração
Que é o talo de uma flor macia
Que algum ainda vai florar
E quando da areia
Do nada
Surge tudo
Creia que a luz
Vai limpar toda a bruma
Mas durma
Que a noite espreita
Deita que eu vou te ninar
A alegria já dobrou a esquina
Nina que é pra não chorar
Nana Caymmi
29 de jan. de 2009
A hora da partida
A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.
A hora da partida soa quando
as árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.
Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.
A hora da partida soa quando
as árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.
Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.
Limpeza
Eu to exausta de coisas pela metade.
Meios amigos, meios sonhos, meios planos.
Quero excluir da minha vida pessoas que não tem consideração, não são ao todo, são "mais ou menos".
Gente sem intensidade, sem paixão, pessoas mornas, gente indecisa.
Limpeza geral na vida, como se fosse um guarda-roupas.
Jogar tudo fora e começar tudo do zero.
Se é que vale a pena recomeçar.
Deve ser melhor viver sozinho.
Meios amigos, meios sonhos, meios planos.
Quero excluir da minha vida pessoas que não tem consideração, não são ao todo, são "mais ou menos".
Gente sem intensidade, sem paixão, pessoas mornas, gente indecisa.
Limpeza geral na vida, como se fosse um guarda-roupas.
Jogar tudo fora e começar tudo do zero.
Se é que vale a pena recomeçar.
Deve ser melhor viver sozinho.
A hora que passa.
Provavelmente tu ja tenho ouvido falar da frase: A hora é agora!
Pois é, não tem frase mais certa!
A hora é agora, viva agora, faça agora.
Se não fizer, o fio da meada se perde, o foco se perde.
O momento certo e tão perfeito não vai chegar.
Quando temos 20 anos é pq somos jovens demais, qndo fizermos 30 é pq o emprego perfeito não chegou e quando tivermos 40 o salário não é dos melhores...
Não espere pelo momento certo pq ele não virá.
A paixão acaba, o amor acaba, a paciência, a esperança, a vontade acabam.
Não aceito coisas pela metade, duvidas, incertezas.
Ou é ou não é.
Cinza, morno, metade, não aceito.
Eu tento falar, tento dizer, tento mostrar, alertar, dizer: -Óh, tudo esta se perdendo.
Mas eu não consigo pq eu me torno chata.
Eu tento, juro.
Só que a minha hora é diferente da sua.
Pois é, não tem frase mais certa!
A hora é agora, viva agora, faça agora.
Se não fizer, o fio da meada se perde, o foco se perde.
O momento certo e tão perfeito não vai chegar.
Quando temos 20 anos é pq somos jovens demais, qndo fizermos 30 é pq o emprego perfeito não chegou e quando tivermos 40 o salário não é dos melhores...
Não espere pelo momento certo pq ele não virá.
A paixão acaba, o amor acaba, a paciência, a esperança, a vontade acabam.
Não aceito coisas pela metade, duvidas, incertezas.
Ou é ou não é.
Cinza, morno, metade, não aceito.
Eu tento falar, tento dizer, tento mostrar, alertar, dizer: -Óh, tudo esta se perdendo.
Mas eu não consigo pq eu me torno chata.
Eu tento, juro.
Só que a minha hora é diferente da sua.
27 de jan. de 2009
Elegia 1938
MARAVILHOSO!
Trabalhas sem alegria para um mundo caduco, onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais, sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.
Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas, e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.
Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.
Caminhas entre mortos e com eles conversas sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.
Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan!
Trabalhas sem alegria para um mundo caduco, onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais, sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.
Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas, e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.
Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.
Caminhas entre mortos e com eles conversas sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.
Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan!
EU
Filha do carbono e do amoníaco
Sofro a influência dos signos do zodíaco...
Dimensões: +- 1:65 x 58kg
Mais carne do q osso
Mais sentimento do q razão
Meus olhos são garços, são cor das safiras,
Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar;
Imitam as nuvens de um céu anilado,
As cores imitam das vagas do mar!
85% Melancolia 15% Tristezas momentâneas
75% Sonhos 25% Lamentações
88% alegria, 12% seriedade
99% malícia 1% inocencia
Não faço parte desse mundo!
Validade:Indeterminada
Data de Fabricação: 07/08/1981
Agite antes de usar.
Mantenha fora do alcance de mentirosos.
Altamente toxico.
Produto moldável e flexível.
Quebrável.
Defeito de fábrica: Transparência
Bônus: Transparência
Ex Ciência da Computação
Ontem Publicidade
Amanhã Design e Produção de Audiovisual e Cinema
Sempre Vocalista
Indiscutivelmente Amante da música, fotografia, cinema
e de todas formas de arte!
Admiradora de pessoas cultas e inteligentes!
Ainda que se agigante os poderes da insensibilidade cultural, não deixarei eu de fazer órbita no mundo que me faz amante da sabedoria e da intelectualidade.
.Não seja injusto comigo
.Não duvide da minha palavra.
.Antes de tirar qqr conclusão, me pergunte!
.Jamais me prometa algo q vc não pode cumprir...
.Nunca se atrase, sou muito pontual!
.Me dê exclusividade em alguma coisa na sua vida.
Sofro a influência dos signos do zodíaco...
Dimensões: +- 1:65 x 58kg
Mais carne do q osso
Mais sentimento do q razão
Meus olhos são garços, são cor das safiras,
Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar;
Imitam as nuvens de um céu anilado,
As cores imitam das vagas do mar!
85% Melancolia 15% Tristezas momentâneas
75% Sonhos 25% Lamentações
88% alegria, 12% seriedade
99% malícia 1% inocencia
Não faço parte desse mundo!
Validade:Indeterminada
Data de Fabricação: 07/08/1981
Agite antes de usar.
Mantenha fora do alcance de mentirosos.
Altamente toxico.
Produto moldável e flexível.
Quebrável.
Defeito de fábrica: Transparência
Bônus: Transparência
Ex Ciência da Computação
Ontem Publicidade
Amanhã Design e Produção de Audiovisual e Cinema
Sempre Vocalista
Indiscutivelmente Amante da música, fotografia, cinema
e de todas formas de arte!
Admiradora de pessoas cultas e inteligentes!
Ainda que se agigante os poderes da insensibilidade cultural, não deixarei eu de fazer órbita no mundo que me faz amante da sabedoria e da intelectualidade.
.Não seja injusto comigo
.Não duvide da minha palavra.
.Antes de tirar qqr conclusão, me pergunte!
.Jamais me prometa algo q vc não pode cumprir...
.Nunca se atrase, sou muito pontual!
.Me dê exclusividade em alguma coisa na sua vida.
É vc
Uma pessoa muito querida e especial escreveu isso aí embaixo pra mim! Obrigada!
É VC
Ela é uma jóia rara, numa vitrine.
Tem brilho próprio que atrai olhares.
Para ela, é muito importante ser admirada, desejada.
Tem que ser a única para 'ele'.
É impetuosa, imprevisível e sedutora.
E quando apaixonada é capaz de se doar por completo.
É dramática quando perde o controle da situação, típico de quem vive por paixão.
Generosa, amiga, sensível e corajosa, sabe reconhecer seus erros, e nunca se envergonha de pedir desculpas...
Mesmo quando aos olhos de outros possam parecer que está fraca.Ainda assim é forte
Se orgulhosa é porque conhece seu valor.
Sabe como ninguém se amar.
Como não perder-la... A elogie, demonstre o quanto ela é importante, nunca lhe dê tempo... Para ela achar que não vale a pena continuar, pois ela dá a volta por cima muito rápido.
Nunca se mostre impaciente com ela ou do contrário ela ira brincar de rainha em outro castelo.
Querida, Nunca perca essa luz, é seu brilho. Vai ser invejada
Como qualquer estrela maior.
Sabem o quanto vale essa jóia?
Espero que sim, e possuem sorte por tê-la por perto...
Mas não se esqueça, quando alguém quiser te magoar, não souber te amar...
É pq não te merece.
Viuuuuuuuuuu????? Brilhe!!!
É VC
Ela é uma jóia rara, numa vitrine.
Tem brilho próprio que atrai olhares.
Para ela, é muito importante ser admirada, desejada.
Tem que ser a única para 'ele'.
É impetuosa, imprevisível e sedutora.
E quando apaixonada é capaz de se doar por completo.
É dramática quando perde o controle da situação, típico de quem vive por paixão.
Generosa, amiga, sensível e corajosa, sabe reconhecer seus erros, e nunca se envergonha de pedir desculpas...
Mesmo quando aos olhos de outros possam parecer que está fraca.Ainda assim é forte
Se orgulhosa é porque conhece seu valor.
Sabe como ninguém se amar.
Como não perder-la... A elogie, demonstre o quanto ela é importante, nunca lhe dê tempo... Para ela achar que não vale a pena continuar, pois ela dá a volta por cima muito rápido.
Nunca se mostre impaciente com ela ou do contrário ela ira brincar de rainha em outro castelo.
Querida, Nunca perca essa luz, é seu brilho. Vai ser invejada
Como qualquer estrela maior.
Sabem o quanto vale essa jóia?
Espero que sim, e possuem sorte por tê-la por perto...
Mas não se esqueça, quando alguém quiser te magoar, não souber te amar...
É pq não te merece.
Viuuuuuuuuuu????? Brilhe!!!
22 de jan. de 2009
Onírico
Veio num sonho, certa noite.
Ela o amava. Ele a amava também.
E ainda que essa coisa, o amor, fosse complicada demais para compreender e detalhar nas maneiras tortuosas como acontece, naquele momento em que acontecia dentro do sonho, era simples. Boa, fácil, assim era.
Ela gostava de estar com ele, ele gostava de estar com ela.
Isso era tudo.
Dormiam juntos, no sonho, porque era bom para um e para outro estarem assim juntos, naquele outro espaço.
Não vinha nada de fora, nem ninguém.
Deitada nua no ombro também nu dele, não havia fatos.
Dormiam juntos, apenas.
Isso era limpo e nítido no sonho que ela sonhou aquela noite.
Deitada no ombro dele, ela via seu rosto muito próximo.
Esse era o sonho, nada mais.
isso, mais tarde saberia, era o único fato do sonho inteiro: via o rosto dele muito próximo.
Como um astronauta prestes a desembarcar veria a face da lua, mal reconhecendo o Mar da Serenidade perdido em poeira cinza, assim ela o via naquela proximidade excessiva, quase inumana de tão próxima.
Fechasse os olhos — mas não os fecharia, pois já estava dormindo — guardaria contra as pálpebras cerradas um por um dos traços dele. Crateras miúdas com negros fios de barba despontando duros de dentro delas, molhadas gretas polpudas além das quais brilhava o branco duro dos dentes.
Coisas assim, ela via.
E de olhos abertos, embora fechados, pois sonhava, protegia-o, protegiam- se no meio da noite. Tão simples, tão claro. E de alguma forma inequívoca, para sempre.
Talvez ele tivesse passado um dos braços em tomo da cintura dela, quem sabe ela houvesse deitado uma das mãos sobre o ombro dele, erguendo os dedos até que tocassem no lóbulo de sua orelha. Em todos os dias que se seguiram à noite daquele sonho, e foram muitos, honestamente não saberia localizar outros detalhes.
Pois enquanto dormia, naquela noite, tudo era só e apenasmente isso: dormiam juntos.
No centro da noite, no meio do sonho, no outro espaço.
Embalada pelos ruídos da rua, dormiu até quase sete entre sonhos onde ele não surgia, perambulando por histórias que não o traziam de volta.
Lavou o rosto, esquentou o frango no microondas, passou café, acendeu um cigarro espiando chatices na tevê — e tcomou a dormir.
Custou um pouco.
Foi quando, caindo em tentação, tentou quase desesperada lembrar-se — daquela vez, naquela noite — se ele teria mesmo passado um dos braços pela sua cintura, e se esse braço teria pêlos densos, mas macios de tocar, e se a mão dele realmente fechara-se exata e solidária e carinhosa naquele ponto secreto onde, constrangida, ela admitia ter mesmo algumas gordurinhas, e se a mão dela estaria assim meio pousada nos pêlos do peito dele, distendendo dois, três dedos até tocar no lóbulo da orelha. Colado ao rosto, alguém dissera, muita espiritualidade. Ou o contrário? Budas, Cristos, Oxalás, invocou no escuro que ainda guardava certo cheiro do sono anterior onde, nu e homem, ele habitara ao lado dela. Mas sabia que tudo isso — as invenções recentes sobre o outro espaço — era puro artifício.
Sem artifícios, acordou na manhã seguinte.
Vazias, ela e a manhã.
E procurou o telefone para contar às amigas. “Premonição”, disse uma, “você vai encontrar alguém”; “transporte astral”, disse outra, “você deve tê-lo realmente encontrado numa outra dimensão”; “ah, mera projeção de carências atávicas”, disse mais uma, “no fundo pura falta de sexo”.
Algum dia, ela desesperançava, em algum lugar, planejou em seguida, noutro espaço, por trás de tudo, num mundo paralelo, quem sabe: ah, sim, que certamente tornaria a encontrá-lo numa interfreqüêncía de rádio ou televisão, num reflexo do espelho.
E às quatro da manhã a surpreenderam com um prato de macarrão frio sobre os joelhos, os olhos postos vesgos nos riscos magnéticos horizontais da tela da tevê.
Ele não estava lá.
Nos dias seguintes, mesmo aceitando todos os janta-res e cedendo a todos os cinemas e shoppings e pizzarias, pois ele poderia também estar no real — ele também não estava lá.
Nem aqui. Em nenhum lugar onde fosse, de fora ou de dentro, nos dias seguintes ao dia em que estivera deitada no ombro dele tão proximamente nu também, no fundo de um sonho, conseguia reencontrá-lo.
Pois havia outros detalhes, semanas depois ainda tentava lembrar.
Havia um cheiro, por exemplo. Tênue, quase perverso. Intimidade úmida, limpa, nas dobras da carne suada, preservada na própria pele. Feito égua no escuro do quarto, escancarava narinas farejando o macho que a cavalgaria.
Deu para pesquisar colônias masculinas, aspirar camisas entreabertas dos homens pelos ônibus, nas filas de bancos e correios, elevadores, essência entre os pêlos, primeiro suor após o banho, reconheceria quando o encontrasse. O cheiro cru, original.
Não encontrou.
Dilatava as narinas em lugares públicos cheios de homens suados — mas nenhum cheiro era o dele. Rememorava meticulosa: de baixo para cima, rosto pousado no peito dela, assim o vira naquela única vez.
E embora o ângulo distorcido, porque era tudo o que tinha, tentava recompô-lo meses — e distorções — depois. Miúdas crateras, fios negros duros de barba despontando — apegava-se à certeza do negros como se fincasse bandeira em território conquistado — e depois as gretas polpudas de um lábio inferior atrás do qual brilhavam alvos dentes brancos. Alvos, repetia.
Revistou revistas procurando semelhanças, Gibsons, Hanks, Lamberts, e esforçando o olhar para além dos (cones imaginava identificar um sobrecílio, um pômulo, mas se passara tanto tempo que talvez, a original, a única, que não saberia seria ainda uma memória ou sua Primeira Invernada. Insistia: cílios longos macios. Sem vírgulas longos macios os cílios do homem que a amava e que ela amava também naquela noite e para sempre no meio de um sonho ficando antigo demais e meio disperso.
Invenções Desesperadas, pois, passou a fazer, Íntimas Orgias Imaginárias.
Fossas nasais abertas onde ela passava a ponta da língua localizando certo remoto gosto salgado, e a outra mão dela, não aquela pousada no peito dele, mas esta uma que descia à toa pelos pêlos, enroscando-se até a cintura e então o umbigo súbito em certa barriga perdoada, porque ela o amava, e penetrava no umbigo com a ponta da unha vermelha, antes de mergulhar na mata mais abaixo, aquele homem que não era sequer perfeito e por isso mesmo belo, porque a amava e ela a ele, e isso era para sempre apesar do fugaz.
Passaram-se meses, ela não o esquecia.
Toda noite, acompanhada ou não — pois ao fim e ao cabo achava, digamos, saudável manter uma vida real-objetiva enquanto ele continuava a acontecer dentro de si, no outro espaço, sem que ninguém soubesse —, abria-se só para ele.
E quando os outros reais, objetivos, debruçavam-se sobre ela, virava-os de costas na cama — boca arriba, repetia, como se fora argentina, boca arriba — e encostando o rosto em seus peitos tentava retomar aquele mesmo ângulo entrevisto à beira do pescoço úmido, íntimo, único.
Mas nunca outros homens foram, eram nem seriam aquele, e ela sabia que de maneira alguma poderiam ser, ainda que fingisse com o máximo de empenho. Pois, por trás do sonho, resistia o chamado real-impiedoso.
Porra caralho buceta, repetia sozinha.
Bruta, vulgar.
Afinal, não era essa a forma de procurá-lo, jamais no chamado real-impiedoso.
Então voltava a deitar em horas absurdas e a dormir para tentar encontrá-lo no país onde habitava, e nem sabia que reino mais, tão diverso do dela.
Todas as noites, um segundo antes de afundar, pensava — onde quer que você esteja, meu príncipe, em qualquer região da minha mente, no mínimo interstício, na fímbria do pensamento, frincha da memória, dobra da fantasia, faixa vibratória passada presente futura, aqui vou eu ao seu encontro, meu bem amado.
E nada.
Mesmo que alimentasse o hábito de materializar anjos e fadas sentados à beira de sua cama a perguntarem gentis o que desejava mais profunda e loucamente entre todas as coisas da vida inteira, o que mais queria de tudo que existe no universo infinito — e respondesse sempre, singela e sincera: tornar a encontrá-lo —, nunca mais voltou a vê-lo. Nem no sonho, nem na vida. Inúteis cartomantes, trânsitos, runas, ebós.
O Valete de Copas traria carta de amor assim que Netuno abandonasse a oposição de Vênus na casa do karma, Peorth anunciaria o reencontro das coisas perdidas se Oxum aceitasse as rosas amarelas jogadas na cachoeira. Nessa região movediça da qual não desacreditava de todo, pois, afinal, fora onde o conhecera — ele também não estava.
Delirava insone: quando eu voltar princesa e você gladiador entre feras, quem sabe na arena; quando emergir do fundo das águas para espiar teu reino terrestre e verde, à superfície, quando eu talvez sereia, mulher-maravilha, pastora e astronauta navegando em abismos — quem, quem sabe quando?
Por enquanto, arduamente. era só um cheiro de homem nu flutuando no escuro do quarto, quentura de bicho vivo pulsando junto à quentura de bicho vivo dela. Outra coisa, noutro lugar. Que não ficava aqui, nem lá.
Talvez se morresse.
O problema é que a vida era agora e era aqui. E além de não estar nem no aqui nem no agora, ele não partia.
Não se matou.
Não seria capaz, resistia sempre à ilusão de encontrá-lo um dia. Por isso mesmo houve outros, claro. Algumas iluminações, encontros quase agradáveis até. O engenheiro divorciado, um professor de olhos verdes.
Mas aprendeu a ir dormir sempre o mais cedo que pode, pois é nessa faixa que ele habita, ela sabe, a contemplá-la mesmo de olhos fechados.
E de tudo que foi restando nesses anos todos, continua sabendo que sabe que fica lá o lugar onde poderia encontrá-lo outra vez. Do outro lado, onde com os olhos abertos ela vê com os olhos fechados e inteiramente nua, encostada ao ombro dele, que dorme inteiramente nu também, mas a vê-la dentro do sono.
Arfam levemente os dois. Ela dorme segura protegida no ombro dele que a protege seguro. Mesmo dormindo, mesmo do lado de cá. E isso é para sempre, por mais que o tempo passe e a afaste cada vez mais dele, que continua eterno naquele segundo em que o viu. E isso ninguém roubará, repete-se, mesmo levando em conta todos aqueles meses de enganos vis que continuam e continuarão a vir depois daquele sonho.
Eu te amo, repete sozinha para o escuro toda noite, pouco antes de seu corpo dissolver-se na espuma do sono, eu te amo. E se pudessem saber, os outros, todos saberiam que isso não deixa de ser uma vitória. Certa espécie de vitória. Mas tão dúbia que parece também uma completa derrota.
Caio Fernando Abreu mais uma vez!!!!!!!!!
Ela o amava. Ele a amava também.
E ainda que essa coisa, o amor, fosse complicada demais para compreender e detalhar nas maneiras tortuosas como acontece, naquele momento em que acontecia dentro do sonho, era simples. Boa, fácil, assim era.
Ela gostava de estar com ele, ele gostava de estar com ela.
Isso era tudo.
Dormiam juntos, no sonho, porque era bom para um e para outro estarem assim juntos, naquele outro espaço.
Não vinha nada de fora, nem ninguém.
Deitada nua no ombro também nu dele, não havia fatos.
Dormiam juntos, apenas.
Isso era limpo e nítido no sonho que ela sonhou aquela noite.
Deitada no ombro dele, ela via seu rosto muito próximo.
Esse era o sonho, nada mais.
isso, mais tarde saberia, era o único fato do sonho inteiro: via o rosto dele muito próximo.
Como um astronauta prestes a desembarcar veria a face da lua, mal reconhecendo o Mar da Serenidade perdido em poeira cinza, assim ela o via naquela proximidade excessiva, quase inumana de tão próxima.
Fechasse os olhos — mas não os fecharia, pois já estava dormindo — guardaria contra as pálpebras cerradas um por um dos traços dele. Crateras miúdas com negros fios de barba despontando duros de dentro delas, molhadas gretas polpudas além das quais brilhava o branco duro dos dentes.
Coisas assim, ela via.
E de olhos abertos, embora fechados, pois sonhava, protegia-o, protegiam- se no meio da noite. Tão simples, tão claro. E de alguma forma inequívoca, para sempre.
Talvez ele tivesse passado um dos braços em tomo da cintura dela, quem sabe ela houvesse deitado uma das mãos sobre o ombro dele, erguendo os dedos até que tocassem no lóbulo de sua orelha. Em todos os dias que se seguiram à noite daquele sonho, e foram muitos, honestamente não saberia localizar outros detalhes.
Pois enquanto dormia, naquela noite, tudo era só e apenasmente isso: dormiam juntos.
No centro da noite, no meio do sonho, no outro espaço.
Embalada pelos ruídos da rua, dormiu até quase sete entre sonhos onde ele não surgia, perambulando por histórias que não o traziam de volta.
Lavou o rosto, esquentou o frango no microondas, passou café, acendeu um cigarro espiando chatices na tevê — e tcomou a dormir.
Custou um pouco.
Foi quando, caindo em tentação, tentou quase desesperada lembrar-se — daquela vez, naquela noite — se ele teria mesmo passado um dos braços pela sua cintura, e se esse braço teria pêlos densos, mas macios de tocar, e se a mão dele realmente fechara-se exata e solidária e carinhosa naquele ponto secreto onde, constrangida, ela admitia ter mesmo algumas gordurinhas, e se a mão dela estaria assim meio pousada nos pêlos do peito dele, distendendo dois, três dedos até tocar no lóbulo da orelha. Colado ao rosto, alguém dissera, muita espiritualidade. Ou o contrário? Budas, Cristos, Oxalás, invocou no escuro que ainda guardava certo cheiro do sono anterior onde, nu e homem, ele habitara ao lado dela. Mas sabia que tudo isso — as invenções recentes sobre o outro espaço — era puro artifício.
Sem artifícios, acordou na manhã seguinte.
Vazias, ela e a manhã.
E procurou o telefone para contar às amigas. “Premonição”, disse uma, “você vai encontrar alguém”; “transporte astral”, disse outra, “você deve tê-lo realmente encontrado numa outra dimensão”; “ah, mera projeção de carências atávicas”, disse mais uma, “no fundo pura falta de sexo”.
Algum dia, ela desesperançava, em algum lugar, planejou em seguida, noutro espaço, por trás de tudo, num mundo paralelo, quem sabe: ah, sim, que certamente tornaria a encontrá-lo numa interfreqüêncía de rádio ou televisão, num reflexo do espelho.
E às quatro da manhã a surpreenderam com um prato de macarrão frio sobre os joelhos, os olhos postos vesgos nos riscos magnéticos horizontais da tela da tevê.
Ele não estava lá.
Nos dias seguintes, mesmo aceitando todos os janta-res e cedendo a todos os cinemas e shoppings e pizzarias, pois ele poderia também estar no real — ele também não estava lá.
Nem aqui. Em nenhum lugar onde fosse, de fora ou de dentro, nos dias seguintes ao dia em que estivera deitada no ombro dele tão proximamente nu também, no fundo de um sonho, conseguia reencontrá-lo.
Pois havia outros detalhes, semanas depois ainda tentava lembrar.
Havia um cheiro, por exemplo. Tênue, quase perverso. Intimidade úmida, limpa, nas dobras da carne suada, preservada na própria pele. Feito égua no escuro do quarto, escancarava narinas farejando o macho que a cavalgaria.
Deu para pesquisar colônias masculinas, aspirar camisas entreabertas dos homens pelos ônibus, nas filas de bancos e correios, elevadores, essência entre os pêlos, primeiro suor após o banho, reconheceria quando o encontrasse. O cheiro cru, original.
Não encontrou.
Dilatava as narinas em lugares públicos cheios de homens suados — mas nenhum cheiro era o dele. Rememorava meticulosa: de baixo para cima, rosto pousado no peito dela, assim o vira naquela única vez.
E embora o ângulo distorcido, porque era tudo o que tinha, tentava recompô-lo meses — e distorções — depois. Miúdas crateras, fios negros duros de barba despontando — apegava-se à certeza do negros como se fincasse bandeira em território conquistado — e depois as gretas polpudas de um lábio inferior atrás do qual brilhavam alvos dentes brancos. Alvos, repetia.
Revistou revistas procurando semelhanças, Gibsons, Hanks, Lamberts, e esforçando o olhar para além dos (cones imaginava identificar um sobrecílio, um pômulo, mas se passara tanto tempo que talvez, a original, a única, que não saberia seria ainda uma memória ou sua Primeira Invernada. Insistia: cílios longos macios. Sem vírgulas longos macios os cílios do homem que a amava e que ela amava também naquela noite e para sempre no meio de um sonho ficando antigo demais e meio disperso.
Invenções Desesperadas, pois, passou a fazer, Íntimas Orgias Imaginárias.
Fossas nasais abertas onde ela passava a ponta da língua localizando certo remoto gosto salgado, e a outra mão dela, não aquela pousada no peito dele, mas esta uma que descia à toa pelos pêlos, enroscando-se até a cintura e então o umbigo súbito em certa barriga perdoada, porque ela o amava, e penetrava no umbigo com a ponta da unha vermelha, antes de mergulhar na mata mais abaixo, aquele homem que não era sequer perfeito e por isso mesmo belo, porque a amava e ela a ele, e isso era para sempre apesar do fugaz.
Passaram-se meses, ela não o esquecia.
Toda noite, acompanhada ou não — pois ao fim e ao cabo achava, digamos, saudável manter uma vida real-objetiva enquanto ele continuava a acontecer dentro de si, no outro espaço, sem que ninguém soubesse —, abria-se só para ele.
E quando os outros reais, objetivos, debruçavam-se sobre ela, virava-os de costas na cama — boca arriba, repetia, como se fora argentina, boca arriba — e encostando o rosto em seus peitos tentava retomar aquele mesmo ângulo entrevisto à beira do pescoço úmido, íntimo, único.
Mas nunca outros homens foram, eram nem seriam aquele, e ela sabia que de maneira alguma poderiam ser, ainda que fingisse com o máximo de empenho. Pois, por trás do sonho, resistia o chamado real-impiedoso.
Porra caralho buceta, repetia sozinha.
Bruta, vulgar.
Afinal, não era essa a forma de procurá-lo, jamais no chamado real-impiedoso.
Então voltava a deitar em horas absurdas e a dormir para tentar encontrá-lo no país onde habitava, e nem sabia que reino mais, tão diverso do dela.
Todas as noites, um segundo antes de afundar, pensava — onde quer que você esteja, meu príncipe, em qualquer região da minha mente, no mínimo interstício, na fímbria do pensamento, frincha da memória, dobra da fantasia, faixa vibratória passada presente futura, aqui vou eu ao seu encontro, meu bem amado.
E nada.
Mesmo que alimentasse o hábito de materializar anjos e fadas sentados à beira de sua cama a perguntarem gentis o que desejava mais profunda e loucamente entre todas as coisas da vida inteira, o que mais queria de tudo que existe no universo infinito — e respondesse sempre, singela e sincera: tornar a encontrá-lo —, nunca mais voltou a vê-lo. Nem no sonho, nem na vida. Inúteis cartomantes, trânsitos, runas, ebós.
O Valete de Copas traria carta de amor assim que Netuno abandonasse a oposição de Vênus na casa do karma, Peorth anunciaria o reencontro das coisas perdidas se Oxum aceitasse as rosas amarelas jogadas na cachoeira. Nessa região movediça da qual não desacreditava de todo, pois, afinal, fora onde o conhecera — ele também não estava.
Delirava insone: quando eu voltar princesa e você gladiador entre feras, quem sabe na arena; quando emergir do fundo das águas para espiar teu reino terrestre e verde, à superfície, quando eu talvez sereia, mulher-maravilha, pastora e astronauta navegando em abismos — quem, quem sabe quando?
Por enquanto, arduamente. era só um cheiro de homem nu flutuando no escuro do quarto, quentura de bicho vivo pulsando junto à quentura de bicho vivo dela. Outra coisa, noutro lugar. Que não ficava aqui, nem lá.
Talvez se morresse.
O problema é que a vida era agora e era aqui. E além de não estar nem no aqui nem no agora, ele não partia.
Não se matou.
Não seria capaz, resistia sempre à ilusão de encontrá-lo um dia. Por isso mesmo houve outros, claro. Algumas iluminações, encontros quase agradáveis até. O engenheiro divorciado, um professor de olhos verdes.
Mas aprendeu a ir dormir sempre o mais cedo que pode, pois é nessa faixa que ele habita, ela sabe, a contemplá-la mesmo de olhos fechados.
E de tudo que foi restando nesses anos todos, continua sabendo que sabe que fica lá o lugar onde poderia encontrá-lo outra vez. Do outro lado, onde com os olhos abertos ela vê com os olhos fechados e inteiramente nua, encostada ao ombro dele, que dorme inteiramente nu também, mas a vê-la dentro do sono.
Arfam levemente os dois. Ela dorme segura protegida no ombro dele que a protege seguro. Mesmo dormindo, mesmo do lado de cá. E isso é para sempre, por mais que o tempo passe e a afaste cada vez mais dele, que continua eterno naquele segundo em que o viu. E isso ninguém roubará, repete-se, mesmo levando em conta todos aqueles meses de enganos vis que continuam e continuarão a vir depois daquele sonho.
Eu te amo, repete sozinha para o escuro toda noite, pouco antes de seu corpo dissolver-se na espuma do sono, eu te amo. E se pudessem saber, os outros, todos saberiam que isso não deixa de ser uma vitória. Certa espécie de vitória. Mas tão dúbia que parece também uma completa derrota.
Caio Fernando Abreu mais uma vez!!!!!!!!!
21 de jan. de 2009
Lamento da Noiva do Soldado
Como posso ficar nesta casa perdida,
neste mundo da noite
sem ti?
Ontem falava a tua boca à minha boca...
E agora que farei,
sem saber mais de ti?
Pensavam que eu vivesse por meu corpo e minha alma!
Todos os olhos são de cegos... Eu vivia
unicamente de ti!
Teus olhos, que me viram, como podem ser fechados?
Aonde foste, que não me chamas, nao me pedes,
como serei agora, sem ti?
Cai neve nos teus pés, no teu peito, no teu
coração... Longe e solitário... Neve, neve...
E eu fervo em lágrimas, aqui.
Essa poesia é parte do livro "Antologia Poética de Cecília Meireles.
Lindíssimo!
neste mundo da noite
sem ti?
Ontem falava a tua boca à minha boca...
E agora que farei,
sem saber mais de ti?
Pensavam que eu vivesse por meu corpo e minha alma!
Todos os olhos são de cegos... Eu vivia
unicamente de ti!
Teus olhos, que me viram, como podem ser fechados?
Aonde foste, que não me chamas, nao me pedes,
como serei agora, sem ti?
Cai neve nos teus pés, no teu peito, no teu
coração... Longe e solitário... Neve, neve...
E eu fervo em lágrimas, aqui.
Essa poesia é parte do livro "Antologia Poética de Cecília Meireles.
Lindíssimo!
14 de jan. de 2009
Anotações sobre um amor urbano.
"...No fim destes dias encontrar você que me sorri,
que me abre os braços,
que me abençoa e passa a mão na minha cara marcada,
no que resta de cabelos na minha cabeça confusa,
que me olha no olho e me permite mergulhar no fundo quente da curva do teu ombro.
Mergulho no cheiro que não defino,
você me embala dentro dos seus braços,
você cobre com a boca meus ouvidos entupidos de buzinas,
versos interrompidos, escapamentos abertos, tilintar de telefones,
máquinas de escrever, ruídos eletrônicos, britadeiras de concreto,
e você me beija e você me aperta e você me leva para Creta, Mikonos, Rodes, Patmos, Delos,
e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo, tudo bem...
O cheiro do teu corpo persiste no meu durante dias.
Não tomo banho.
Guardo, preservo, cheiro o cheiro do teu cheiro grudado no meu.
E basta fechar os olhos para naufragar outra vez e cada vez mais fundo na tua boca.
Abismos marinhos, sargaços.
Minhas mãos escorrem pelo teu peito.
Gramados batidos de sol, poços claros.
Alguma coisa então pára, todas as coisas param.
Os automóveis nas ruas, os relógios nas paredes, as pessoas nas casas, as estrelas que não conseguimos ver aqui do fundo da cidade escura.
Olho no poço do teu olho escuro, meia-noite em ponto.
Quero fazer um feitiço para que nada mais volte a andar.
Quero ficar assim, no parado. Sei com medo que o que trouxe você aqui foi esse meu jeito de ir vivendo como quem pula poças de lama, sem cair nelas, mas sei que agora esse jeito se despedaça.
Torre fulminada, o inabalável vacila quando começa a brotar de mim isso que não está completo sem o outro.
Você assopra na minha testa.
Sou só poeira, me espalho em grãos invisíveis pelos quatro cantos do quarto.
Fico noite, fico dia. Fico farpa, sede, garra, prego.
Chega em mim sem medo, toca no meu ombro, olha nos meus olhos, como nas canções do rádio. Depois me diz:
— “Vamos embora para um lugar limpo.
Deixe tudo como está. Feche as portas, não pague as contas nem conte a ninguém.
Nada mais importa.
Agora você me tem, agora eu tenho você.
Nada mais importa.
O resto? Ah, o resto são os restos.
E não importam
Apagar a luz e mergulhar de olhos fechados no quente fundo da curva do teu ombro, tanto frio, naufragar outra vez em tua boca,
reinventar no escuro teu corpo moço de homem apertado contra meu corpo de homem moço também,
apalpar as virilhas, o pescoço, sem entender, sem conseguir chorar, abandonado, apavorado, mastigando maldições, dúbios indícios, sinistros augúrios,
e amanhã não desisto:
te procuro em outro corpo, juro que um dia eu encontro.
Não temos culpa, tentei. Tentamos. "
que me abre os braços,
que me abençoa e passa a mão na minha cara marcada,
no que resta de cabelos na minha cabeça confusa,
que me olha no olho e me permite mergulhar no fundo quente da curva do teu ombro.
Mergulho no cheiro que não defino,
você me embala dentro dos seus braços,
você cobre com a boca meus ouvidos entupidos de buzinas,
versos interrompidos, escapamentos abertos, tilintar de telefones,
máquinas de escrever, ruídos eletrônicos, britadeiras de concreto,
e você me beija e você me aperta e você me leva para Creta, Mikonos, Rodes, Patmos, Delos,
e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo, tudo bem...
O cheiro do teu corpo persiste no meu durante dias.
Não tomo banho.
Guardo, preservo, cheiro o cheiro do teu cheiro grudado no meu.
E basta fechar os olhos para naufragar outra vez e cada vez mais fundo na tua boca.
Abismos marinhos, sargaços.
Minhas mãos escorrem pelo teu peito.
Gramados batidos de sol, poços claros.
Alguma coisa então pára, todas as coisas param.
Os automóveis nas ruas, os relógios nas paredes, as pessoas nas casas, as estrelas que não conseguimos ver aqui do fundo da cidade escura.
Olho no poço do teu olho escuro, meia-noite em ponto.
Quero fazer um feitiço para que nada mais volte a andar.
Quero ficar assim, no parado. Sei com medo que o que trouxe você aqui foi esse meu jeito de ir vivendo como quem pula poças de lama, sem cair nelas, mas sei que agora esse jeito se despedaça.
Torre fulminada, o inabalável vacila quando começa a brotar de mim isso que não está completo sem o outro.
Você assopra na minha testa.
Sou só poeira, me espalho em grãos invisíveis pelos quatro cantos do quarto.
Fico noite, fico dia. Fico farpa, sede, garra, prego.
Chega em mim sem medo, toca no meu ombro, olha nos meus olhos, como nas canções do rádio. Depois me diz:
— “Vamos embora para um lugar limpo.
Deixe tudo como está. Feche as portas, não pague as contas nem conte a ninguém.
Nada mais importa.
Agora você me tem, agora eu tenho você.
Nada mais importa.
O resto? Ah, o resto são os restos.
E não importam
Apagar a luz e mergulhar de olhos fechados no quente fundo da curva do teu ombro, tanto frio, naufragar outra vez em tua boca,
reinventar no escuro teu corpo moço de homem apertado contra meu corpo de homem moço também,
apalpar as virilhas, o pescoço, sem entender, sem conseguir chorar, abandonado, apavorado, mastigando maldições, dúbios indícios, sinistros augúrios,
e amanhã não desisto:
te procuro em outro corpo, juro que um dia eu encontro.
Não temos culpa, tentei. Tentamos. "
“Beijo” de Gustav Klimt com um poema de Hilda Hilst
“Te amo como as begônias tarântulas;
como as sementes se amam enroscadas lentas
algumas muito verdes outras escuras;
a cruz na testa lerdas prenhes; dessa agudez que me rodeia,
te amo ainda que isso te fulmine ou que um soco na minha cara
me faça menos osso e mais verdade.”
como as sementes se amam enroscadas lentas
algumas muito verdes outras escuras;
a cruz na testa lerdas prenhes; dessa agudez que me rodeia,
te amo ainda que isso te fulmine ou que um soco na minha cara
me faça menos osso e mais verdade.”
Noites de Santa Tereza
Me penetras por trás como a uma cadela, a grande cabeça roxa da tua piça encharcada pela minha saliva.
Só fico de quatro, como gostas, depois de hastear tua bandeira no mínimo a meio pau, batendo acima do umbigo rendido de eletricista.
Carpinteiros ergam bem alto o pau da cumeeira! grito rindo arreganhada enquanto molho lençóis e mordo fronhas e teu leite grosso escapa de dentro de mim para melar coxas e pentelhos.
Enxugamos os gozos em papel higiênico cor-de-rosa e voltas a me chamar de senhora, sem ouvir Claudia Chawchat que bate portas no quarto ao lado, escandalizada com meus gritos.
Puta, não diz, mas ai! traumatismos, reumatismos, solecismos.
Estou ficando velha e louca aqui no alto deste morro velho, bem na curva da mangueira e das tormentas.
No porto inseguro lá embaixo vão e voltam navios de e para Surabaya, Johnny, tira esse cachimbo da boca, seu rato!
À hora da partida, acaricio culhões de estivadores pelo cais, mas acordo ás quatro da manhã para chupar outra vez o guarda noturno, depois às seis me faço enrabar em pé pelo negrão jardineiro pedindo que me chame de Zelda para que eu goze como numa valsa.
Zilda, ele geme, Zildinha, então desisto temporariamente de sexo e pela manhã compro rosas na feira onde não há um que eu não tenha, sabes? Tipo Clarissa Dalloway compareço à pérgola do hotel em modelinho vaporoso, entre sedas e musselinas me estendo na relva folheando diários da Mansfield e suavemente tusso, tusso, trés Bertha Young.
Mas não apago o cigarro, é com ele em pinho que à tarde troto ladeira abaixo em chita estampada e havaianas, hibisco no jubão, bem Sonia Braga. Lambo com os olhos do rabo o cobrador e desço antes do flamengo deixando telefone embrulhadinho junto com o dinheiro da passagem.
Mais tardar sábado tem mulatão de Madureira em meu dossel.
Te busco por telefone, telegrama e telepatia na cidade antiga onde vendo móveis, viro punk a tesouradas, cinco furos na orelha esquerda, jogo um Volpi no lixo, cometo escrotidões indizíveis rasgando noites que não estas de agora, mais tropicais e tão ordinárias quanto.
Enfim parto em lágrimas da cidade iluminada espatifando corações de gás neon, tudo em vão naquelas madrugadas em que choro bêbada cheirada malfodida metade no ombro de Patricia, metade no ombro de Luiz carlos, e repito repito meu amor você não precisa mentir, você só precisa me dizer por que, Camille Claudel perde.
Deixo recado definitivo na secretária eletrônica alta madrugada e parto, definita também, pasta de originais inéditos na sacola relíquia Biba de franjas e espelhinhos na gare da Estação da luz: Janet Frame abandona a Nova Zelândia.
Agora sou o último quarto no fim de corredor, à esquerda de quem vai, não de quem vem, compreende? antes da queda brusca do caminho os trilhos do bondinho.
Ligo a TV sem som, espalho devagar nívea hidratante entre as coxas, pelas róseas pregas do cuzinho que eles gostam de arrombar, objetos brutais e necessários. E de novo te espero em desespero, outra paisagem, outros sabores, quem sabe o porteiro da noite batendo a porta dizendo ser você interurbano urgente na portaria e eu nem atenda abrindo de joelhos com os dentes manchados de batom o zíper do garotão. Anyway, amanhã vou e volto tentar te ver, talvez ponte-aérea, trem só se me sentir demasiado Karen Blixen, o que é raro.
Trarei Rimbaud da Abissínia - alma gangrenada, a minha; dele a perna, naturalmente - para abnegada cuidá-lo até o fim. Recados para Isabelle, exigirei direitos totais sobre a obra, que não há de ser par delicatésse que perderei minha vida.
Entre os galhos da mangueira carregada espio a lua minguante sobre a Guanabara, lobiswoman esfaimada na curva das tormentas.
Fumo além da conta, tenho umas febres suspeitas, certos suores a noite, muito além deste verão sem fim. Uns gânglios, umas fraquezas, sapinhos na boca toda, será?
Tenho lido coisas por aí, dizem, sei lá. Não duro muito, acho.
Só fico de quatro, como gostas, depois de hastear tua bandeira no mínimo a meio pau, batendo acima do umbigo rendido de eletricista.
Carpinteiros ergam bem alto o pau da cumeeira! grito rindo arreganhada enquanto molho lençóis e mordo fronhas e teu leite grosso escapa de dentro de mim para melar coxas e pentelhos.
Enxugamos os gozos em papel higiênico cor-de-rosa e voltas a me chamar de senhora, sem ouvir Claudia Chawchat que bate portas no quarto ao lado, escandalizada com meus gritos.
Puta, não diz, mas ai! traumatismos, reumatismos, solecismos.
Estou ficando velha e louca aqui no alto deste morro velho, bem na curva da mangueira e das tormentas.
No porto inseguro lá embaixo vão e voltam navios de e para Surabaya, Johnny, tira esse cachimbo da boca, seu rato!
À hora da partida, acaricio culhões de estivadores pelo cais, mas acordo ás quatro da manhã para chupar outra vez o guarda noturno, depois às seis me faço enrabar em pé pelo negrão jardineiro pedindo que me chame de Zelda para que eu goze como numa valsa.
Zilda, ele geme, Zildinha, então desisto temporariamente de sexo e pela manhã compro rosas na feira onde não há um que eu não tenha, sabes? Tipo Clarissa Dalloway compareço à pérgola do hotel em modelinho vaporoso, entre sedas e musselinas me estendo na relva folheando diários da Mansfield e suavemente tusso, tusso, trés Bertha Young.
Mas não apago o cigarro, é com ele em pinho que à tarde troto ladeira abaixo em chita estampada e havaianas, hibisco no jubão, bem Sonia Braga. Lambo com os olhos do rabo o cobrador e desço antes do flamengo deixando telefone embrulhadinho junto com o dinheiro da passagem.
Mais tardar sábado tem mulatão de Madureira em meu dossel.
Te busco por telefone, telegrama e telepatia na cidade antiga onde vendo móveis, viro punk a tesouradas, cinco furos na orelha esquerda, jogo um Volpi no lixo, cometo escrotidões indizíveis rasgando noites que não estas de agora, mais tropicais e tão ordinárias quanto.
Enfim parto em lágrimas da cidade iluminada espatifando corações de gás neon, tudo em vão naquelas madrugadas em que choro bêbada cheirada malfodida metade no ombro de Patricia, metade no ombro de Luiz carlos, e repito repito meu amor você não precisa mentir, você só precisa me dizer por que, Camille Claudel perde.
Deixo recado definitivo na secretária eletrônica alta madrugada e parto, definita também, pasta de originais inéditos na sacola relíquia Biba de franjas e espelhinhos na gare da Estação da luz: Janet Frame abandona a Nova Zelândia.
Agora sou o último quarto no fim de corredor, à esquerda de quem vai, não de quem vem, compreende? antes da queda brusca do caminho os trilhos do bondinho.
Ligo a TV sem som, espalho devagar nívea hidratante entre as coxas, pelas róseas pregas do cuzinho que eles gostam de arrombar, objetos brutais e necessários. E de novo te espero em desespero, outra paisagem, outros sabores, quem sabe o porteiro da noite batendo a porta dizendo ser você interurbano urgente na portaria e eu nem atenda abrindo de joelhos com os dentes manchados de batom o zíper do garotão. Anyway, amanhã vou e volto tentar te ver, talvez ponte-aérea, trem só se me sentir demasiado Karen Blixen, o que é raro.
Trarei Rimbaud da Abissínia - alma gangrenada, a minha; dele a perna, naturalmente - para abnegada cuidá-lo até o fim. Recados para Isabelle, exigirei direitos totais sobre a obra, que não há de ser par delicatésse que perderei minha vida.
Entre os galhos da mangueira carregada espio a lua minguante sobre a Guanabara, lobiswoman esfaimada na curva das tormentas.
Fumo além da conta, tenho umas febres suspeitas, certos suores a noite, muito além deste verão sem fim. Uns gânglios, umas fraquezas, sapinhos na boca toda, será?
Tenho lido coisas por aí, dizem, sei lá. Não duro muito, acho.
O ovo apunhalado
"... Tão liso e tão oval, veja como sua superfície é mansa,
veja como minha mão desliza por ela,
sinta como ele vibra qndo eu o toco,
agora veja como ele incha todo e parece aumentar de tamanho,
veja como meu corpo se encosta ao dele,
veja como minha boca se abre e minha língua freme,
ouça esse gemido saindo de minha garganta,
toque meus olhos fechados,
acompanhe os movimentos de meu corpo contra o dele,
observe como minha carne morena se confunde com sua casca branca
e como eu enterro as unhas na sua superfície macia,
e como eu o atraio pra mim e como nos confundimos..."
veja como minha mão desliza por ela,
sinta como ele vibra qndo eu o toco,
agora veja como ele incha todo e parece aumentar de tamanho,
veja como meu corpo se encosta ao dele,
veja como minha boca se abre e minha língua freme,
ouça esse gemido saindo de minha garganta,
toque meus olhos fechados,
acompanhe os movimentos de meu corpo contra o dele,
observe como minha carne morena se confunde com sua casca branca
e como eu enterro as unhas na sua superfície macia,
e como eu o atraio pra mim e como nos confundimos..."
12 de jan. de 2009
Desconstruções
Quando a gente conhece uma pessoa, automática e involuntariamente, construímos uma imagem dela. Esta imagem tem a ver com o que ela é de verdade, com as nossas expectativas e também tem muito a ver com o que ela "vende" de si mesma. É pelo resultado disso tudo que nos apaixonamos (ou não).
Se esta pessoa for bem parecida com a imagem que projetou em nós, desfazer-se deste amor, mais tarde, não será tão penoso. Restará a saudade sim, talvez uma pequena mágoa, mas nada que resista por muito tempo. No final, sobreviverão as boas lembranças. Mas se esta pessoa "inventou" um personagem e você caiu na arapuca, aí, somado à dor da separação, virá um processo mais lento e sofrido: a de desconstrução daquela pessoa que você achou que era real.
Desconstruindo Flávia, desconstruindo Gilson, desconstruindo Marcelo. Milhares de pessoas estão vivendo seus dias aparentemente numa boa, mas por dentro estão desconstruindo ilusões, tudo porque se apaixonaram por uma fraude, não por um alguém autêntico.
Ok, é natural que, numa aproximação, a gente "venda" mais nossas qualidades que defeitos. Ninguém vai iniciar uma história dizendo: muito prazer, eu sou arrogante, preguiçoso e cleptomaníaco. Nada disso, é a hora de fazer charme. Mas isso é só no começo. Uma vez o romance engatado, teoricamente as defesas são postas de lado e a gente mostra quem realmente é, nossas gracinhas e nossas imperfeições. Isso se formos honestos. Os desonestos do amor são aqueles que fabricam idéias e atitudes, até que um dia cansam da brincadeira, deixam cair a máscara e o outro fica ali, atônito.
Quem se apaixonou por um falsário, tem que desconstruí-lo para se desapaixonar. É um sufoco! Exige que você reconheça que foi seduzido por uma fantasia, que você é capaz de se deixar confundir e chegar ao infeliz veredito: o seu desejo de amar é mais forte do que sua astúcia. Significa encarar que alguém por quem você dedicou um sentimento tão nobre e verdadeiro não chegou a existir, tudo não passou de uma representação – e olha, talvez até não tenha sido por mal, pode ser que esta pessoa nem conheça a si mesma, por isso ela se inventa. Coitadas, desse tipo de gente eu tenho dó!
Que sorte quando a gente sabe com quem está lidando: mesmo que venhamos a desamá-lo um dia, tudo o que foi construído se manterá de pé. Afinal, todos nós resistimos a aceitar que alguém que um dia tanto amamos não é (e nem nunca foi) especial.
Se esta pessoa for bem parecida com a imagem que projetou em nós, desfazer-se deste amor, mais tarde, não será tão penoso. Restará a saudade sim, talvez uma pequena mágoa, mas nada que resista por muito tempo. No final, sobreviverão as boas lembranças. Mas se esta pessoa "inventou" um personagem e você caiu na arapuca, aí, somado à dor da separação, virá um processo mais lento e sofrido: a de desconstrução daquela pessoa que você achou que era real.
Desconstruindo Flávia, desconstruindo Gilson, desconstruindo Marcelo. Milhares de pessoas estão vivendo seus dias aparentemente numa boa, mas por dentro estão desconstruindo ilusões, tudo porque se apaixonaram por uma fraude, não por um alguém autêntico.
Ok, é natural que, numa aproximação, a gente "venda" mais nossas qualidades que defeitos. Ninguém vai iniciar uma história dizendo: muito prazer, eu sou arrogante, preguiçoso e cleptomaníaco. Nada disso, é a hora de fazer charme. Mas isso é só no começo. Uma vez o romance engatado, teoricamente as defesas são postas de lado e a gente mostra quem realmente é, nossas gracinhas e nossas imperfeições. Isso se formos honestos. Os desonestos do amor são aqueles que fabricam idéias e atitudes, até que um dia cansam da brincadeira, deixam cair a máscara e o outro fica ali, atônito.
Quem se apaixonou por um falsário, tem que desconstruí-lo para se desapaixonar. É um sufoco! Exige que você reconheça que foi seduzido por uma fantasia, que você é capaz de se deixar confundir e chegar ao infeliz veredito: o seu desejo de amar é mais forte do que sua astúcia. Significa encarar que alguém por quem você dedicou um sentimento tão nobre e verdadeiro não chegou a existir, tudo não passou de uma representação – e olha, talvez até não tenha sido por mal, pode ser que esta pessoa nem conheça a si mesma, por isso ela se inventa. Coitadas, desse tipo de gente eu tenho dó!
Que sorte quando a gente sabe com quem está lidando: mesmo que venhamos a desamá-lo um dia, tudo o que foi construído se manterá de pé. Afinal, todos nós resistimos a aceitar que alguém que um dia tanto amamos não é (e nem nunca foi) especial.
10 de jan. de 2009
Do outro lado da tarde...
"...Éramos só nós depois na roda gigante.
Você tinha medo: quando chegávamos lá em cima, você tinha um medo engraçado e subitamente agarrava meu braço como se eu não estivesse tão desamparado quanto você.
Conversávamos pouco, ou não conversávamos nada - pelo menos antes disso nenhuma frase minha ou sua ficou: bastavam coisas assim como o seu medo ou o meu medo, o meu braço ou o seu braço.
Coisas assim.
Foi então que, bem lá em cima, a roda-gigante parou.
Havia uma porção de luzes que de repente se apagaram - e a roda-gigante parou.
Ouvimos lá de baixo uma voz dizer que as luzes tinham apagado.
Esperamos.
Acho que comemos pipocas enquanto esperamos.
Mas de repente começou a chover: lembro que seu cabelo ficou todo molhado, e as gotas escorriam pelo seu rosto exatamente como se você chorasse.
Você jogou fora as pipocas e ficamos lá em cima: o seu cabelo molhado, a chuva fina, as luzes apagadas..."
Trecho do Livro 'O ovo apunhalado' de Caio Fernando Abreu.
Você tinha medo: quando chegávamos lá em cima, você tinha um medo engraçado e subitamente agarrava meu braço como se eu não estivesse tão desamparado quanto você.
Conversávamos pouco, ou não conversávamos nada - pelo menos antes disso nenhuma frase minha ou sua ficou: bastavam coisas assim como o seu medo ou o meu medo, o meu braço ou o seu braço.
Coisas assim.
Foi então que, bem lá em cima, a roda-gigante parou.
Havia uma porção de luzes que de repente se apagaram - e a roda-gigante parou.
Ouvimos lá de baixo uma voz dizer que as luzes tinham apagado.
Esperamos.
Acho que comemos pipocas enquanto esperamos.
Mas de repente começou a chover: lembro que seu cabelo ficou todo molhado, e as gotas escorriam pelo seu rosto exatamente como se você chorasse.
Você jogou fora as pipocas e ficamos lá em cima: o seu cabelo molhado, a chuva fina, as luzes apagadas..."
Trecho do Livro 'O ovo apunhalado' de Caio Fernando Abreu.
9 de jan. de 2009
Pela rua
Lindíssimo! Tbm está nos meus favoritos!

Pela rua
Sem qualquer esperança
detenho-me diante de uma vitrina de bolsas
na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, domingo,
enquanto o crepúsculo se desata sobre o bairro.
Sem qualquer esperança
te espero.
Na multidão que vai e vem
entra e sai dos bares e cinemas
surge teu rosto e some
num vislumbre
e o coração dispara.
Te vejo no restaurante
na fila do cinema, de azul
diriges um automóvel, a pé
cruzas a rua
miragem
que finalmente se desintegra com a tarde acima dos edifícios
e se esvai nas nuvens.
A cidade é grande
tem quatro milhões de habitantes e tu és uma só.
Em algum lugar estás a esta hora, parada ou andando,
talvez na rua ao lado, talvez na praia
talvez converses num bar distante
ou no terraço desse edifício em frente,
talvez estejas vindo ao meu encontro, sem o saberes,
misturada às pessoas que vejo ao longo da Avenida.
Mas que esperança!
Tenho
uma chance em quatro milhões.
Ah, se ao menos fosses mil
disseminada pela cidade.
A noite se ergue comercial
nas constelações da Avenida.
Sem qualquer esperança
continuo
e meu coração vai repetindo teu nome
abafado pelo barulho dos motores
solto ao fumo da gasolina queimada.

Pela rua
Sem qualquer esperança
detenho-me diante de uma vitrina de bolsas
na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, domingo,
enquanto o crepúsculo se desata sobre o bairro.
Sem qualquer esperança
te espero.
Na multidão que vai e vem
entra e sai dos bares e cinemas
surge teu rosto e some
num vislumbre
e o coração dispara.
Te vejo no restaurante
na fila do cinema, de azul
diriges um automóvel, a pé
cruzas a rua
miragem
que finalmente se desintegra com a tarde acima dos edifícios
e se esvai nas nuvens.
A cidade é grande
tem quatro milhões de habitantes e tu és uma só.
Em algum lugar estás a esta hora, parada ou andando,
talvez na rua ao lado, talvez na praia
talvez converses num bar distante
ou no terraço desse edifício em frente,
talvez estejas vindo ao meu encontro, sem o saberes,
misturada às pessoas que vejo ao longo da Avenida.
Mas que esperança!
Tenho
uma chance em quatro milhões.
Ah, se ao menos fosses mil
disseminada pela cidade.
A noite se ergue comercial
nas constelações da Avenida.
Sem qualquer esperança
continuo
e meu coração vai repetindo teu nome
abafado pelo barulho dos motores
solto ao fumo da gasolina queimada.
8 de jan. de 2009
Marley e Eu

Um cão não precisa de carros modernos, palacetes ou roupas de grifes. Símbolos de status não significam nada para ele.
Um pedaço de madeira encontrado na praia serve.
Um cão não julga os outros por sua cor, credo ou classe,
mas por quem são por dentro.
Um cão não se importa se você é rico ou pobre, educado ou analfabeto, inteligente ou burro.
Se você lhe der seu coração, ele lhe dará o dele.
É realmente muito simples, mas, mesmo assim, nós humanos, tão mais sábios, e sofisticados, sempre tivemos problemas para
descobrir o que realmente importa ou não.
Ps: Filme lindo!
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